quarta-feira, 11 de setembro de 2019

FRAMES-RETRÔ: Freejack – Os Imortais: no futuro, você pode comprar seu bilhete para a imortalidade

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com

Já faz um tempo que Emilio Estevez resolveu se dedicar ao outro lado das câmeras. O último de seus trabalhos como diretor, inclusive, é o ótimo drama The Public (2018), uma produção que aborda um fato que aflige (infelizmente) muitos países do mundo: os moradores de rua e sua falta (ou quase inexistência) de direitos. Estevez, que escreveu, atuou e dirigiu àquela bela produção cinematográfica, só vem comprovando sua versatilidade que vem de tempos. Mas, no Frames-Retrô de hoje vou falar da época em quem Emilio Estevez era um dos atores mais requisitados em Hollywood. Eram os anos 1990 e ele, que já possuía na bagagem bons filmes como Jovens Demais Para Morrer e Trabalho Sujo (ambos de 1990), resolveu estrelar uma ficção nada científica sobre um dos temas que ainda é uma busca incessante pela humanidade: a imortalidade.
Freejack – Os Imortais é uma produção que não é tão lembrada por muitos, apesar de ser uma diversão saudável e nada cerebral, mesmo para quem vira a cara quando vê que elementos de ação estão presentes. Baseado no livro “Immortality Inc.”, de Robert Scheckley, Freejack – Os Imortais é um tipo de ficção com elementos pessimistas em que a divisão de classes é bem acentuada (as pessoas estão em cima ou embaixo, como ressalta um dos personagens). É nesse contexto que vemos uma Nova York num futuro que para nós já ficou no passado, envolta à opulência e pobreza distintas, mas com todos convivendo com uma camada de ozônio inexistente, resíduos nucleares e drogas circulando livremente.
Rene Russo e Emilio Estevez com o pião da casa própria
Nesse ponto, você já deve estar pensando que Freejack – Os Imortais é um filme limitado (ledo engano!). Mesmo que subliminarmente, a produção que envolve tiroteios, explosões e perseguições de carros (esses com conceitos, no mínimo, exóticos), mostra um subtexto que explora as qualidades do Freejack interpretado por Emilio Estevez (fugitivo, ele vira um símbolo de esperança para os menos afortunados). E é justamente nesse conteúdo emocional que o filme ganha pontos a mais.
Tudo bem que a famosa “tecnobaboseira” está presente, como o “quadro espiritual” e o “transplante de mentes”, mas sem esses elementos, o enredo cairia por terra. Já no quesito elenco, temos a presença de Sir Anthony Hopkins - do ótimo O Lobisomem – Leia o Review - (num papel que obviamente foi deletado da mente dos fãs, por sua insignificância na extensa filmografia); a bela Rene Russo (como o interesse amoroso que se mostra muita areia para o caminhãozinho do personagem de Estevez); Mick Jagger, num de seus poucos papéis como ator, demonstrando que é melhor ficar somente atrás dos microfones; além do antagonista canastrão, interpretado por Jonathan Banks (figurinha carimbada em muitos filmes oitentistas).
Para quem não conhece a história de Freejack – Os Imortais, Alex Furlong (Emilio Estevez) é um piloto de corridas que, após sofrer um acidente, se vê transportado para um futuro sombrio, onde sua mente será apagada e receberá a de um rico comprador, que deseja a imortalidade. Para se livrar desse destino fatídico, ele contará com a ajuda de Julie (Rene Russo), sua noiva, agora 15 anos mais velha.


Freejack – Os Imortais (Freejack, EUA, 1992). Elenco: Emilio Estevez, Rene Russo e Mick Jagger. Direção: Geoff Murphy.



Nota – 7 Frames

Pontuação
01 a 02 Frames – Ruim
03 a 04 Frames – Regular
05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo
09 a 10 Frames - Obra Prima



CURIOSIDADES
Linda Fiorentino falando com seu agente após ser dispensada do filme
-Linda Fiorentino foi originalmente escalada como Julie, mas após uma semana de filmagens acabou substituída por Rene Russo;


Os carros "futuristas": o salão do automóvel passou longe
-A parte futurista do filme se passa em Novembro de 2009;


O taciturno T-800 lacrou uma frase em Freejack
-Numa cena, o personagem de Emilio Estevez cita uma fala memorável de Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro (1984): “Fuck you, asshole!”;


Jerry Hall em cadeia nacional
-A modelo Jerry Hall, esposa de Mick Jagger na época, aparece numa ponta como uma jornalista que entrevista um bêbado Alex Furlong num bar.



CITAÇÕES

-“Que tipo de hospital é esse?” – Furlong.

-“Peguem a carne.” – Vacendak.

-“Algum ricaço morre e eles salvam sua mente num grande computador. Chamam de ‘O Quadro Espiritual’. Não tem nada de espiritual a respeito dele”. – Freira.

-“Escute, as coisas mudaram. As pessoas estão em cima ou embaixo. Não tem ninguém no meio. Julie está no topo.” – Morgan.

-“Morda minha orelha pra dar sorte.” – Furlong.



TRAILER




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Fotos: divulgação/Internet
Informações adicionais: IMDB

terça-feira, 10 de setembro de 2019

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segunda-feira, 3 de junho de 2019

FRAMES-CRÍTICA: Zigoto: o curta-metragem que deixa superproduções de terror no chinelo

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com 

Não é segredo, nem para você leitor do Frames da Imaginação, nem para os milhares de fãs do gênero terror, que grande parte das atuais produções perdeu o poder de transmitir a sensação de insegurança e agonia aos espectadores. Em meio à reboots sofríveis (como o novo A Múmia, com Tom Cruise) e remakes louváveis (It e sua aguardada sequência), Zigoto, um curta de 2017 me chamou atenção.
Na crítica anterior (que você confere aqui), falei sobre um filme que homenageava os grandes Slashers do cinema, além das gratas homenagens aos clichês do gênero, já nesse curta-metragem as claras inspirações em produções clássicas, como Alien – O Oitavo Passageiro, Aliens - O Resgate e O Enigma de Outro Mundo (leia meu review) nos brinda, em pouco mais de 20 minutos, enchendo a tela com a essência de tudo que falta nas produções atuais: uma história que, se não é inédita, prende (e muito) a atenção do espectador; uma trilha sonora que age como um catalisador para as cenas mais tensas; e o bom e velho gore, que muitos idolatram.
Em Zigoto, Neill Blomkamp, diretor de Distrito 9 (2009) e Elysium (2013), dentre outros créditos, através do canal no YouTube intitulado Oats Studios (e também disponível na Netflix), nos traz a história de uma operação de mineração no extremo norte do Círculo Polar Ártico, por volta do ano 2050. Lá, numa instalação em ruínas, sabemos que dentre os 98 funcionários há somente 2 sobreviventes (um humano e uma sintética). Caçados por uma criatura bizarra e assustadora,

Dakota "Sintética" Fanning

eles tentam (a todo custo) chegar ao abrigo corporativo, que contém comida e suprimentos (além de uma imensa porta de aço!).
Blomkamp, em pouco mais de 20 minutos, faz um trabalho maravilhoso, que poderia ser transformado (sem sobra de dúvidas) num longa-metragem bem melhor trabalhado, no entanto o curta cumpre maravilhosamente seu papel em transportar o espectador a um ambiente inóspito, onde a criatura que emite um som grotesco segue no encalço dos sobreviventes a cada metro percorrido, não dando margem para erros. Vale notar também o grande trabalho de interpretação dos protagonistas, Jose Pablo Cantillo (o Martinez, da quase finada série The Walking Dead) e Dakota Fanning (de Heróis/2009), que “vestem” seus personagens de maneira perfeita, transmitindo ao espectador, de forma crível, todo o terror visto na tela.



Zigoto (Zygote, Canadá, 2017). Elenco: Dakota Fanning, Jose Pablo Cantillo. Direção: Neill Blomkamp.


Nota – 8 Frames

Pontuação 
01 a 02 Frames – Ruim
03 a 04 Frames – Regular
05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo
09 a 10 Frames - Obra Prima



CURIOSIDADE




-Zigoto foi filmado num abrigo nuclear desativado no Canadá, sobra da guerra fria, e que foi cenário de diversos outros filmes, como A Soma de Todos os Medos (2002). Atualmente, o bunker é um museu sobre a guerra fria.








 

 

TEASER

quarta-feira, 29 de maio de 2019

FRAMES-CRÍTICA: You Might Be the Killer: e se você fosse um assassino num filme de terror?

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com


Para os fãs do terror raiz, nada melhor que uma produção que engloba os principais elementos dos filmes clássicos sobre Slashers (assassinos psicopatas que matam aleatoriamente). O vilão de máscara, a maldição antiga, sangue e entranhas para todos os lados, personagens estereotipados, como o “Rei do Caiaque” e Jamie, a “Virgem”, além de toneladas de referências ao gênero transbordam como o sangue que preenche a tela em certos pontos da película. Nesse momento do texto, você leitor do Frames da Imaginação deve estar se perguntando o que há de diferente num filme assim, em que os clichês se sobrepõem e a história poderia ter (e tem!) um rumo óbvio? Bem, You Might Be the Killer (Você Pode ser o Assassino) não é um típico filme de terror. Nele, o espectador já é situado dos fatos logo nos primeiros minutos da trama.
Sam (Fran Kranz, do ótimo O Segredo da Cabana) aparece ensanguentado, correndo para procurar abrigo e uma mensagem na tela indica que um monte de monitores do acampamento de verão, o qual ele é proprietário, já estão mortos. Nessa hora, enquanto enfrenta lapsos em sua memória, ele entra em contato com uma amiga que trabalha em uma loja de produtos geek (Alyson Hannigan, de American Pie). Juntos, eles tentam remontar todos os acontecimentos e descobrir quem é o verdadeiro assassino.
You Might Be the Killer tem um roteiro interessante que deixa a

Monitores do acampamento: quem vai morrer primeiro?

narrativa óbvia de lado e reconstrói, através de uma timeline, todos os assassinatos, deixando pouco espaço para o espectador pensar demais, no entanto peca por revelar muito cedo a identidade do serial killer, mas acaba por ganhar pontos por continuar reconstruindo as mortes, através de flashbacks, mostrando como tudo começou.
Já Alyson Hannigan, numa interpretação segura como um “Yoda dos filmes de terror” se encaixa como uma luva na trama, ocupando o papel do fanático pelo gênero, ansioso por tentar orientar o protagonista sobre o que fazer, além de achar uma solução que fuja do óbvio.
Com um plot twist bem interessante ao final, You Might Be the Killer é uma diversão rasteira, que vale a pena mesmo para aqueles que não grandes fãs dos Slashers, colocando no ar a grande pergunta que irá povoar a mente do espectador: E se você fosse um assassino num filme de terror?



You Might Be the Killer (Idem, EUA, 2018). Elenco: Fran Kranz, Alyson Hannigan, Brittany S. Hall. Direção: Brett Simmons.


Nota – 6,5 Frames

Pontuação 
01 a 02 Frames – Ruim
03 a 04 Frames – Regular
05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo
09 a 10 Frames - Obra Prima



CURIOSIDADES


-Num certo momento do filme, a personagem de Alyson Hannigan aparece com uma caneca com uma frase escrita: “We all go little mad sometimes (Todos enlouquecemos às vezes)”. Isso é uma referência direta a uma fala do personagem Norman Bates no clássico Psicose (1960);

-A mesma Alyson Hannigan diz, em outro momento, que vai tentar achar um feitiço para ajudar com a situação. Hannigan interpretou, por muitos anos, a personagem Willow, que era uma poderosa bruxa, no seriado Buffy – A Caça-Vampiros.


TRAILER




Fotos: Divulgação/Internet
Informações adicionais: IMDB

O Criador Insano

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