Oh, sim, eu direi algo a você. Algo que você entenderá se um dia foi um genuíno fã da banda The Beatles! No Frames-Retrô de hoje voltamos mais ao passado (dessa vez anterior aos anos 1980), para dissertar sobre um maravilhoso filme lançado em 1978: Febre de Juventude (I Wanna Hold Your Hand).
Muito antes do diretor Robert Zemeckis se enveredar pela franquia De Volta Para o Futuro, foi sugestão do amigo Steven Spielberg que sua primeira experiência por trás das câmeras se desse com essa maravilhosa produção do final dos anos 1970. A trama, extremamente divertida, que se passa em 1964 (auge da Beatlemania), nos leva a seis adolescentes em uma odisseia para conseguir ver a histórica apresentação dos Beatles no Ed Sullivan Show (famoso programa de auditório da época). Num grupo heterogêneo (nem todos são fãs do famoso quarteto), eles viajam de carro, de Nova Jersey até Nova York e enfrentam uma série de percalços para tentar assistir aos ídolos ingleses. Diversão descompromissada, sem intenções profundas, mas com
A trupe de Febre de Juventude: Beatles na veia
muitas situações cômicas, Febre de Juventude é um típico filme com a temática teen que mergulha de cabeça no fanatismo pelos Beatles (gritaria, histeria, falta de ar, desmaios, etc..), mas sempre com a leveza característica do diretor Robert Zemeckis. Há muito a Beatlemania acabou, mas os quatro rapazes de Liverpool continuam atemporais e idolatrados até os dias atuais por suas músicas inesquecíveis e letras que ainda fazem muita gente “requebrar o esqueleto”. E você, caro leitor do Frames da Imaginação, algum dia já viveu essa Febre de Juventude?
CURIOSIDADES
Os jovens Steven Spielberg e Robert Zemeckis
-Responsável por uma das melhores (e mais divertidas) franquias do cinema (De Volta Para o Futuro), o diretor Robert Zemeckis fez sua estreia atrás das câmeras em Febre de Juventude. O filme marcou também a primeira vez que Steven Spielberg esteve envolvido com a produção de um longa;
Os irmãos de Marty McFly em De Volta Para o Futuro
-Falando em De Volta Para o Futuro, dois dos protagonistas de Febre de Juventude interpretaram os irmãos de Marty McFly na franquia futurista: Wendie Joe Sperber (in memoriam) e Mark McClure;
Já faz um tempo que Emilio Estevez resolveu se dedicar ao outro lado das câmeras. O último de seus trabalhos como diretor, inclusive, é o ótimo drama The Public (2018), uma produção que aborda um fato que aflige (infelizmente) muitos países do mundo: os moradores de rua e sua falta (ou quase inexistência) de direitos. Estevez, que escreveu, atuou e dirigiu àquela bela produção cinematográfica, só vem comprovando sua versatilidade que vem de tempos. Mas, no Frames-Retrô de hoje vou falar da época em quem Emilio Estevez era um dos atores mais requisitados em Hollywood. Eram os anos 1990 e ele, que já possuía na bagagem bons filmes como Jovens Demais Para Morrer e Trabalho Sujo(ambos de 1990), resolveu estrelar uma ficção nada científica sobre um dos temas que ainda é uma busca incessante pela humanidade: a imortalidade. Freejack – Os Imortais é uma produção que não é tão lembrada por muitos, apesar de ser uma diversão saudável e nada cerebral, mesmo para quem vira a cara quando vê que elementos de ação estão presentes.
Baseado no livro “Immortality Inc.”, de Robert Scheckley, Freejack – Os Imortais é um tipo de ficção com elementos pessimistas em que a divisão de classes é bem acentuada (as pessoas estão em cima ou embaixo, como ressalta um dos personagens). É nesse contexto que vemos uma Nova York num futuro que para nós já ficou no passado, envolta à opulência e pobreza distintas, mas com todos convivendo com uma camada de ozônio inexistente, resíduos nucleares e drogas circulando livremente.
Rene Russo e Emilio Estevez com o pião da casa própria
Nesse ponto, você já deve estar pensando que Freejack – Os Imortais é um filme limitado (ledo engano!). Mesmo que subliminarmente, a produção que envolve tiroteios, explosões e perseguições de carros (esses com conceitos, no mínimo, exóticos), mostra um subtexto que explora as qualidades do Freejack interpretado por Emilio Estevez (fugitivo, ele vira um símbolo de esperança para os menos afortunados). E é justamente nesse conteúdo emocional que o filme ganha pontos a mais. Tudo bem que a famosa “tecnobaboseira” está presente, como o “quadro espiritual” e o “transplante de mentes”, mas sem esses elementos, o enredo cairia por terra. Já no quesito elenco, temos a presença de Sir Anthony Hopkins - do ótimo O Lobisomem – Leia o Review - (num papel que obviamente foi deletado da mente dos fãs, por sua insignificância na extensa filmografia); a bela Rene Russo (como o interesse amoroso que se mostra muita areia para o caminhãozinho do personagem de Estevez); Mick Jagger, num de seus poucos papéis como ator, demonstrando que é melhor ficar somente atrás dos microfones; além do antagonista canastrão, interpretado por Jonathan Banks (figurinha carimbada em muitos filmes oitentistas). Para quem não conhece a história de Freejack – Os Imortais, Alex Furlong (Emilio Estevez) é um piloto de corridas que, após sofrer um acidente, se vê transportado para um futuro sombrio, onde sua mente será apagada e receberá a de um rico comprador, que deseja a imortalidade. Para se livrar desse destino fatídico, ele contará com a ajuda de Julie (Rene Russo), sua noiva, agora 15 anos mais velha.
Freejack – Os Imortais (Freejack, EUA, 1992). Elenco: Emilio Estevez, Rene Russo e Mick Jagger. Direção: Geoff Murphy.
Nota – 7 Frames
Pontuação
01 a 02 Frames – Ruim
03 a 04 Frames – Regular
05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo
09 a 10 Frames - Obra Prima
CURIOSIDADES
Linda Fiorentino falando com seu agente após ser dispensada do filme
-Linda Fiorentino foi originalmente escalada como Julie, mas após uma semana de filmagens acabou substituída por Rene Russo;
Os carros "futuristas": o salão do automóvel passou longe
-A parte futurista do filme se passa em Novembro de 2009;
O taciturno T-800 lacrou uma frase em Freejack
-Numa cena, o personagem de Emilio Estevez cita uma fala memorável de Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro (1984): “Fuck you, asshole!”;
Jerry Hall em cadeia nacional
-A modelo Jerry Hall, esposa de Mick Jagger na época, aparece numa ponta como uma jornalista que entrevista um bêbado Alex Furlong num bar.
CITAÇÕES
-“Que tipo de hospital é esse?” – Furlong.
-“Peguem a carne.” – Vacendak.
-“Algum ricaço morre e eles salvam sua mente num grande computador. Chamam de ‘O Quadro Espiritual’. Não tem nada de espiritual a respeito dele”. – Freira.
-“Escute, as coisas mudaram. As pessoas estão em cima ou embaixo. Não tem ninguém no meio. Julie está no topo.” – Morgan.
Filmes envolvendo histórias de pessoas avessas umas as outras, mas que devido a uma ou outra reviravolta do destino acabam por serem testadas em um ambiente inóspito, demonstrando superação mútua e união de antigos desafetos, sempre foi um bom filão para os roteiristas deitarem e rolarem. Drama, comédia, aventura, seja qual for o gênero, nós espectadores, sempre somos brindados com a história do sujeito que inicia o filme querendo esfolar vivo seu adversário, mas que, após passar o “pão que o diabo amassou” ao lado deste suposto “inimigo”, acaba na maior “água com açúcar”, ou melhor, amizade com o dito cujo. Agora, imaginem a sacada que teve o diretor Wolfgang Petersen, que no ano de 1985 trouxe às telonas um dos grandes filmes de ficção científica daquela década. Diferente do que se costumava ver, o cenário não era um conflito armado convencional, como os da 2ª Guerra Mundial, Vietnã e etc... A ação agora havia sido literalmente elevada às alturas, mais precisamente o espaço sideral. Reprisado à exaustão, ao longo dos anos, na grade de filmes de várias emissoras de TV, “Inimigo Meu” (Enemy Mine), do supracitado diretor alemão - que anos mais tarde traria ao público o conflito envolvendo gregos e troianos (Tróia) - retrata, num futuro distante, a luta ferrenha envolvendo a humanidade em sua eterna busca expansionista, desta vez na esfera interplanetária, e os habitantes do planeta Dracon. Durante uma batalha espacial, as naves de dois pilotos, um humano (Dennis Quaid) e outro Drac (Louis Gosset Jr. – irreconhecível debaixo de tanta maquiagem) acabam por cair em um planeta de ambiente completamente hostil. O cotidiano dos pilotos dá-se em cenas com bons efeitos e diálogos sensacionais, como aquele no qual a mascote da Disney, Mickey Mouse, e a “bíblia” Drac passam a ser motivo de chacota e conseqüentemente hostilidades entre Quaid e seu companheiro extraterrestre. Em princípio, numa demonstração clara de xenofobismo e neofobismo, os protagonistas tentam dar cabo da vida um do outro, mas logo percebem que, apesar das diferenças físicas e culturais, terão que deixar de lado os sentimentos antagônicos e se unir, ou perecerão naquele lugar. Lealdade e amizade são os pontos chave deste bom filme da década de ouro do cinema.
Inimigo Meu, (Enemy Mine, EUA, 1985). Elenco: Dennis Quaid, Louis Gossett Jr. e Brion James. Direção: Wolgang Petersen.