sexta-feira, 4 de abril de 2014

FRAMES-CRÍTICA – Trapaça: o filme esnobado pelo Oscar

Fábio Pereira 


O vencedor do Oscar de 2013, “12 Anos de Escravidão”, é um drama histórico sobre um homem livre que é sequestrado e vendido como escravo. Um bom filme por sinal, mas em minha modesta opinião ficou muito longe de merecer os três Oscar que faturou (além de Melhor Filme, levou Roteiro Adaptado e Melhor Atriz). Aí você me pergunta: por que discorrer sobre isso, já que a crítica aqui deve se tratar do filme Trapaça? Respondo com uma simples informação: Trapaça foi o líder em indicações ao Oscar, concorrendo em 10 categorias distintas, mas sem vencer nenhuma! Isso mesmo, meus caros cinéfilos ou meros adoradores da Sétima Arte. Nada de Oscar para um filme que, se não é brilhante, se destaca por atuações aguçadas e viscerais dos protagonistas, mostrando uma dedicação pela arte por parte de alguns e crescimento profissional por parte de outros.
Mas e a trama? Bem, a trama de Trapaça envolve um trapaceiro e sua sócia - “vestidos” com maestria por Christian Bale (de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge), que aparece quase irreconhecível (dedicação total ao papel!) e Amy Adams (de O Homem de Aço) – dois “peixes pequenos” que são forçados pelo FBI (Polícia Federal Americana) a se infiltrar na política local, além de um contato nada amigável com a máfia. A arriscada operação, coordenada pelo candidato a galã do “Birô” Richie DiMaso (Bradley Cooper, do excelente O Lado Bom da Vida), envolve contato com o popular prefeito Carmine Polito (Jeremy Renner, de Os Vingadores), mas acaba por complicar quando Rosalyn, - Jennifer Lawrence, de Jogos Vorazes, mostrando sua evolução pós-Oscar - esposa do trapaceiro Irving (Bale) se envolve com quem não deve e coloca as cartas na mesa.
O elenco de Trapaça, grandioso, é mesmo um destaque total na película. Christian Bale mostrando sua versatilidade e dedicação, Amy Adams sendo uma trapaceira sexy e sedutora e Jennifer Lawrence como uma mãe relapsa, além de uma ponta de peso: Robert De Niro (que dispensa referências), como um intimidador chefe da máfia local. Ponto a menos somente para Bradley Cooper, em atuação sóbria e morna. 

De resto, vale conferir a reviravolta ao final da trama, que compensa certa monotonia lá pela metade da produção, além do excelente trabalho dos figurinistas em transportar a atmosfera dos acontecimentos aos saudosos Anos 70.





Trapaça (American Hustle, EUA, 2013). Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Jennifer Lawrence. Direção: David O. Russell.


Nota – 6,5 Frames

Pontuação
01 a 02 Frames – Ruim
03 a 04 Frames – Regular
05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo
09 a 10 Frames - Obra Prima




TRAILER LEGENDADO


terça-feira, 22 de outubro de 2013

FRAMES-CRÍTICA – Uma Noite de Crime inova pelo tema, mas peca pela falta de profundidade

Fábio Pereira



Existem muitos estudos científicos que atribuem ao estresse contido à maioria dos danos físicos e psicológicos nas pessoas. Extravasar, através da violência ou descumprimento das leis da sociedade, parece ser um catalisador para a melhora em alguns casos, mas não em todos. Algumas pessoas, simplesmente, não sentem esse tipo de necessidade e a classe médica, em sua quase unanimidade, também reprova esse tipo de “tratamento”. Mas é exatamente deste pressuposto que fica a base para o suspense, ambientando num futuro não tão distante, intitulado Uma Noite de Crime.

Os EUA estão assolados pelo crime e suas prisões superlotadas. A fim de conter essa ameaça sem solução, uma atitude drástica é tomada: uma vez por ano, durante 12 horas, os cidadãos adquirem o direito de cometerem quaisquer tipos de crimes, sem que haja qualquer tipo de consequência legal. É durante os preparativos para essa Noite de Crime que conhecemos James Sandin (Ethan Hawke, do ótimo terror A Entidade) um vendedor de sistema de alarmes para residências, morador de um bairro nobre, que enricou com a nova lei instituída pelos “novos fundadores da nação americana”. Residindo em uma casa confortável e equipada pelo mesmo sistema de alarme vendido por sua companhia, Sandin, sua esposa Mary (Lena Headey, do péssimo Dredd), e seus filhos Charlie (Max Burkholder, de A Creche do Papai) e Zoey (Adelaide Kane, da série de tv Teen Wolf), aguardam a noite da “Purgação” passar.
Mas, quando o filho de Sandin dá abrigo a um desconhecido, perseguido por uma horda de adolescentes sádicos e descontrolados, o jogo vira e é agora a família que deve sobreviver à noite de crime.

Uma Noite de Crime, é uma produção que inova, abordando dois problemas atuais e recorrentes da sociedade moderna: violência e desemprego. A justificativa para a nova lei, além da de extravasar o estresse da sociedade, é a de que o desemprego diminui também por consequência dos crimes cometidos naquela noite, mas o que fica implícito durante a trama é que os menos favorecidos são os principais alvos dos crimes. Daí vem a “Purgação” que dá o nome ao filme.

Com um orçamento incrivelmente baixo (somente US$ 3 milhões)Uma Noite de Crime perde a chance de se aprofundar mais no tema, envolvendo mais aspectos sociológicos e morais (algo corrigido pela excelente sequência - clique e leia meu review), além de deixar quase todos os personagens unidimensionais, com destaque negativo para Ethan Hawke, que não convence no papel como pai de família, numa atuação bastante abaixo de seus padrões usuais. Um ponto positivo fica por conta do jovem Max Burkholder que, além de desempenhar uma posição de destaque na trama (é ele que abriga o sem teto, além de questionar os pais sobre a purgação), mostra uma atuação mais orgânica e natural.


Uma Noite de Crime (The Purge, EUA, 2013). Elenco: Ethan Hawke, Lena Headey, Max Burkholder. Direção: James DeMonaco.  



Nota – 4,5 Frames

Pontuação
01 a 02 Frames – Ruim

03 a 04 Frames – Regular
05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo
09 a 10 Frames - Obra Prima


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Post atualizado em 16/03/2018.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

FRAMES-INDICA – Identidade é um thriller psicológico em que o espectador assume o papel de investigador

Fábio Pereira



Identity 2003
Certos filmes são lançados nos cinemas, divulgados pelas produtoras à exaustão e passam batidos por muita gente. No meu caso, aconteceu com este excelente suspense do ano de 2003, intitulado Identidade. Com uma produção meticulosa, além de nomes de peso no elenco, o filme aborda duas histórias distintas, que parecem não ter relação uma com a outra, no entanto o mistério envolve o espectador, tornando-o não apenas um cúmplice passivo, mas um investigador ativo.

A trama de Identidade envolve um grupo de desconhecidos que se refugia num hotel isolado, devido a uma forte tempestade. Um a um todos vão sendo assassinados, com um mistério envolvendo os motivos por trás disso. Em paralelo, a trama também mostra o caso de um assassino condenado à pena de morte, que através de seus advogado e psiquiatra, consegue uma apelação, com a audiência sendo realizada na mesma noite da já citada tempestade.

Identidade 2003Além da atmosfera isolada do hotel, o que mais contribui para o desenrolar da trama são as interpretações de todo o elenco. John Cusack (de 2012), em atuação sóbria e convincente, vive Ed, um ex-policial e atual motorista de uma atriz antipática (Rebecca De Mornay, de Negócio Arriscado); Amanda Peet (de Arquivo X – Eu Quero Acreditar) interpreta Paris, uma “acompanhante de luxo” que estava indo mudar de vida; Ray Liotta (de Os Bons Companheiros) vive um policial impulsivo, que transporta um preso condenado à prisão (Jake Busey, de Tropas Estelares, em participação esquecível); e John C. McGinley (de Platoon), um homem que tem sua esposa atropelada pelo personagem de John Cusack, o que dá início a toda a trama.
Identidade 2003
Completam o elenco de Identidade, Alfred Molina (de Homem Aranha 2), como um psicólogo que tenta salvar o assassino Malcom Rivers (Pruitt Taylor Vince, o Otis da série The Walking Dead) da condenação à morte; entre outros.

A grande sacada desta produção hollywoodiana é envolver o espectador deixando pistas ao longo dos 87 minutos de película.  Por exemplo, a cada assassinato, várias chaves dos quartos do motel são encontradas nos corpos. Mas ainda tem mais! Para complicar ainda mais a trama, os personagens começam a desconfiar uns dos outros e até uma teoria sobre um assassino fantasma é mencionada.

Num ritmo bem calculado, com doses altas de adrenalina em certas partes, e um desfecho surpreendente, o mistério de Identidade é altamente recomendado para quem adora um suspense. 



Identidade (Identity, EUA, 2003). Elenco: John Cusack, Ray Liotta, Amanda Peet. Direção: James Mangold. 



Nota – 8 Frames

Pontuação
01 a 02 Frames – Ruim

03 a 04 Frames – Regular
05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo
09 a 10 Frames - Obra Prima



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O Criador Insano

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