Sessão Anos 80: a coleção para quem é aficionado pelo cinema oitentista
Como você já deve ter percebido, caro leitor fiel do Frames da Imaginação, aqui tratamos muito do
cinema da década de 1980. São tantas pérolas cinematográficas que foram produzidas naquela maravilhosa época que fica quase impossível falar sobre todas, mas para você que é fanático pelo cinema oitentista, aqui vai nossa dica: a coleção Sessão Anos 80 reúne, em 2 DVDs, quatro filmes da década de 1980, em versões remasterizadas, com idioma original, dublagem em português e recheado de extras! Então aproveite, compre logo os DVDs da Sessão Anos 80 e complete sua coleção!
Já faz um tempo que Emilio Estevez resolveu se dedicar ao outro lado das câmeras. O último de seus trabalhos como diretor, inclusive, é o ótimo drama The Public (2018), uma produção que aborda um fato que aflige (infelizmente) muitos países do mundo: os moradores de rua e sua falta (ou quase inexistência) de direitos. Estevez, que escreveu, atuou e dirigiu àquela bela produção cinematográfica, só vem comprovando sua versatilidade que vem de tempos. Mas, no Frames-Retrô de hoje vou falar da época em quem Emilio Estevez era um dos atores mais requisitados em Hollywood. Eram os anos 1990 e ele, que já possuía na bagagem bons filmes como Jovens Demais Para Morrer e Trabalho Sujo(ambos de 1990), resolveu estrelar uma ficção nada científica sobre um dos temas que ainda é uma busca incessante pela humanidade: a imortalidade. Freejack – Os Imortais é uma produção que não é tão lembrada por muitos, apesar de ser uma diversão saudável e nada cerebral, mesmo para quem vira a cara quando vê que elementos de ação estão presentes.
Baseado no livro “Immortality Inc.”, de Robert Scheckley, Freejack – Os Imortais é um tipo de ficção com elementos pessimistas em que a divisão de classes é bem acentuada (as pessoas estão em cima ou embaixo, como ressalta um dos personagens). É nesse contexto que vemos uma Nova York num futuro que para nós já ficou no passado, envolta à opulência e pobreza distintas, mas com todos convivendo com uma camada de ozônio inexistente, resíduos nucleares e drogas circulando livremente.
Rene Russo e Emilio Estevez com o pião da casa própria
Nesse ponto, você já deve estar pensando que Freejack – Os Imortais é um filme limitado (ledo engano!). Mesmo que subliminarmente, a produção que envolve tiroteios, explosões e perseguições de carros (esses com conceitos, no mínimo, exóticos), mostra um subtexto que explora as qualidades do Freejack interpretado por Emilio Estevez (fugitivo, ele vira um símbolo de esperança para os menos afortunados). E é justamente nesse conteúdo emocional que o filme ganha pontos a mais. Tudo bem que a famosa “tecnobaboseira” está presente, como o “quadro espiritual” e o “transplante de mentes”, mas sem esses elementos, o enredo cairia por terra. Já no quesito elenco, temos a presença de Sir Anthony Hopkins - do ótimo O Lobisomem – Leia o Review - (num papel que obviamente foi deletado da mente dos fãs, por sua insignificância na extensa filmografia); a bela Rene Russo (como o interesse amoroso que se mostra muita areia para o caminhãozinho do personagem de Estevez); Mick Jagger, num de seus poucos papéis como ator, demonstrando que é melhor ficar somente atrás dos microfones; além do antagonista canastrão, interpretado por Jonathan Banks (figurinha carimbada em muitos filmes oitentistas). Para quem não conhece a história de Freejack – Os Imortais, Alex Furlong (Emilio Estevez) é um piloto de corridas que, após sofrer um acidente, se vê transportado para um futuro sombrio, onde sua mente será apagada e receberá a de um rico comprador, que deseja a imortalidade. Para se livrar desse destino fatídico, ele contará com a ajuda de Julie (Rene Russo), sua noiva, agora 15 anos mais velha.
Freejack – Os Imortais (Freejack, EUA, 1992). Elenco: Emilio Estevez, Rene Russo e Mick Jagger. Direção: Geoff Murphy.
Nota – 7 Frames
Pontuação
01 a 02 Frames – Ruim
03 a 04 Frames – Regular
05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo
09 a 10 Frames - Obra Prima
CURIOSIDADES
Linda Fiorentino falando com seu agente após ser dispensada do filme
-Linda Fiorentino foi originalmente escalada como Julie, mas após uma semana de filmagens acabou substituída por Rene Russo;
Os carros "futuristas": o salão do automóvel passou longe
-A parte futurista do filme se passa em Novembro de 2009;
O taciturno T-800 lacrou uma frase em Freejack
-Numa cena, o personagem de Emilio Estevez cita uma fala memorável de Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro (1984): “Fuck you, asshole!”;
Jerry Hall em cadeia nacional
-A modelo Jerry Hall, esposa de Mick Jagger na época, aparece numa ponta como uma jornalista que entrevista um bêbado Alex Furlong num bar.
CITAÇÕES
-“Que tipo de hospital é esse?” – Furlong.
-“Peguem a carne.” – Vacendak.
-“Algum ricaço morre e eles salvam sua mente num grande computador. Chamam de ‘O Quadro Espiritual’. Não tem nada de espiritual a respeito dele”. – Freira.
-“Escute, as coisas mudaram. As pessoas estão em cima ou embaixo. Não tem ninguém no meio. Julie está no topo.” – Morgan.
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Não é segredo, nem para você leitor do Frames da Imaginação, nem para os milhares de fãs do gênero terror, que grande parte das atuais produções perdeu o poder de transmitir a sensação de insegurança e agonia aos espectadores. Em meio à reboots sofríveis (como o novo A Múmia, com Tom Cruise) e remakes louváveis (It e sua aguardada sequência), Zigoto, um curta de 2017 me chamou atenção. Na crítica anterior (que você confere aqui), falei sobre um filme que homenageava os grandes Slashers do cinema, além das gratas homenagens aos clichês do gênero, já nesse curta-metragem as claras inspirações em produções clássicas, como Alien – O Oitavo Passageiro, Aliens - O Resgate e O Enigma de Outro Mundo(leia meu review) nos brinda, em pouco mais de 20 minutos, enchendo a tela com a essência de tudo que falta nas produções atuais: uma história que, se não é inédita, prende (e muito) a atenção do espectador; uma trilha sonora que age como um catalisador para as cenas mais tensas; e o bom e velho gore, que muitos idolatram. Em Zigoto, Neill Blomkamp, diretor de Distrito 9 (2009) e Elysium (2013), dentre outros créditos, através do canal no YouTube intitulado Oats Studios(e também disponível na Netflix), nos traz a história de uma operação de mineração no extremo norte do Círculo Polar Ártico, por volta do ano 2050. Lá, numa instalação em ruínas, sabemos que dentre os 98 funcionários há somente 2 sobreviventes (um humano e uma sintética). Caçados por uma criatura bizarra e assustadora,
Dakota "Sintética" Fanning
eles tentam (a todo custo) chegar ao abrigo corporativo, que contém comida e suprimentos (além de uma imensa porta de aço!). Blomkamp, em pouco mais de 20 minutos, faz um trabalho maravilhoso, que poderia ser transformado (sem sobra de dúvidas) num longa-metragem bem melhor trabalhado, no entanto o curta cumpre maravilhosamente seu papel em transportar o espectador a um ambiente inóspito, onde a criatura que emite um som grotesco segue no encalço dos sobreviventes a cada metro percorrido, não dando margem para erros. Vale notar também o grande trabalho de interpretação dos protagonistas, Jose Pablo Cantillo (o Martinez, da quase finada série The Walking Dead) e Dakota Fanning (de Heróis/2009), que “vestem” seus personagens de maneira perfeita, transmitindo ao espectador, de forma crível, todo o terror visto na tela.
Zigoto (Zygote, Canadá, 2017). Elenco: Dakota Fanning, Jose Pablo Cantillo. Direção: Neill Blomkamp.
Nota – 8 Frames
Pontuação 01 a 02 Frames – Ruim 03 a 04 Frames – Regular 05 a 06 Frames – Bom 07 a 08 Frames – Ótimo 09 a 10 Frames - Obra Prima
CURIOSIDADE
-Zigoto foi filmado num abrigo nuclear desativado no Canadá, sobra da guerra fria, e que foi cenário de diversos outros filmes, como A Soma de Todos os Medos (2002). Atualmente, o bunker é um museu sobre a guerra fria.