terça-feira, 24 de outubro de 2017

FRAMES-RETRÔ: Um professor de educação física entra numa roubada quando precisa assumir um Curso de Verão

Fábio Pereira 
xanderfbi@hotmail.com 

Existem muitos exemplos de filmes com temáticas colegiais nos Anos 1980, mas antes que qualquer preconceituoso de plantão aponte o dedo para afirmar que “são todos iguais”, ressalto aqui que uma das intenções (ao menos para mim) da maioria das produções cinematográficas é, simplesmente, entreter. Sim, meus caros leitores, o entretenimento faz bem para a saúde e, é claro, te faz relaxar e aproveitar um bom filme sem a constante necessidade de apontar os erros óbvios de roteiro, atuações ou mesmo o excesso de clichês do gênero. Dito isto, no Frames-Retrô de hoje, trago a vocês uma comédia bem divertida dessa maravilhosa década do cinema americano: Curso de Verão, de 1987 (também rebatizado como Curso de Férias nas terras tupiniquins)
A trama, sem muitos rodeios, nos apresenta a Freddy Shoop (Mark Harmon, mais conhecido hoje pela série de TV NCIS), um professor de educação física boa praça que tem grandes planos para o verão, mas que por pura falta de sorte acaba por ser forçado, pelo diretor da escola onde leciona, a assumir o Curso de Verão (equivalente à nossa antiga recuperação escolar). Em meio a alunos desmotivados e sem nenhum interesse pela aprendizagem, Shoop contará com a ajuda de uma professora de história (Kirstie

Kirstie Alley ainda na fase enxuta

Alley, de Olha Quem Está Falando - 1989) e tentará, a todo custo, aprender a lecionar para manter seu emprego. 

Harmon, em desempenho suave, mostra-se perfeito para o papel de um professor que não parece de verdade (como o próprio personagem ressalta). Sua turma, uma série de alunos caricatos dos mais variados tipos, compõe um cenário high school bem presente em outras produções do gênero e época, mas com alguns destaques, como a dupla de descerebrados aficionada pelo clássico do terror O Massacre da Serra Elétrica (1974), os quais provêm algumas das cenas mais icônicas da película, além de outros personagens que sempre marcam presença em produções colegiais, como a surfista que se apaixona pelo professor mais velho (Courtney Thorne-Smith, de Os Nerds Saem de Férias – 1987); o nerd bobalhão (Richard Steven Horvitz, que hoje tem a carreira voltada para a dublagem); a aluna de intercâmbio boazuda (Fabiana Udenio, a Alotta Fagina de Austin Powers – 1997); e o jogador de futebol americano que precisa concluir o curso para voltar ao time (Patrick Labyorteaux de Loucademia de Esqui – 1990); dentre outros. 

"Eu não sei nada! Eu não sei nada!"

Curso de Verão é o tipo de comédia despretensiosa que poucas vezes vemos nos cinemas atualmente. Com algumas cenas claramente improvisadas e, apesar do final feliz e certinho, ainda vale a pena pela diversão e o simples, mas sempre necessário entretenimento. 


Curiosidades sobre o filme 
- A mesma escola em que se passa a trama foi utilizada também em outro clássico oitentista: Karatê Kid – A Hora da Verdade (1984);

Shawnee Smith pré-Jigsaw


 - Shawnee Smith, mais conhecida por seu papel na franquia “Jogos Mortais”, interpreta uma adolescente grávida e sem marido, que precisa passar pelo Curso de Verão; 

O personagem de Carl Reiner deixou Shoop numa roubada


- O diretor do filme, Carl Reiner, faz uma pequena ponta no início da película interpretando o professor que ganha na loteria. 



“Tudo isso aqui é uma besteira. Tem uma razão muito séria para férias de verão: o cérebro humano precisa de descanso.” – Chainsaw. 


Curso de Verão/Curso de Férias (Summer School, EUA, 1987). Elenco: Mark Harmon, Kirstie Alley e Courtney Thorne-Smith. Direção: Carl Reiner. 


TRAILER


Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

FRAMES-RETRÔ: Para a doença chamada violência, só existe uma cura: Stallone Cobra

Fábio Pereira 
xanderfbi@hotmail.com 

Em 1986, Sylvester Stallone já era um ator consagrado por protagonistas marcantes na indústria cinematográfica, como Rocky Balboa e John Rambo, mas o que poucos sabem é como um dos personagens mais icônicos de sua carreira foi criado. Muito antes de dar vida ao policial Marion Cobretti, ele estava escalado para ser o protagonista de outro clássico oitentista, Um Tira da Pesada (1984). Isso mesmo, meus caros leitores. Axel Foley deveria ter sido interpretado por Sly, que quis refazer o roteiro do filme, transformando-o numa produção mais voltada para a ação ao invés do humor. Com o sinal negativo da Paramount, Sly abandonou o projeto e levou todas suas ideias para essa obra que foi uma decepção nas bilheterias americanas, mas que se transformou em cult nas terras tupiniquins. 
Concebido para ser um fugitivo dos Anos 1950 (como bem ressalta seu parceiro Gonzales), a caracterização de Stallone como um implacável membro do Esquadrão Zumbi - numa Los Angeles onde o crime toma proporções alarmantes – não segue à risca o estereótipo de um personagem unidimensional, comum em filmes do gênero. Cobretti, com seus óculos espelhados, é um policial durão, mas tem nuances de um humor rasteiro, além de uma preocupação excessiva com alimentação saudável (!). Com essas facetas, opositores de peso eram essenciais para o funcionamento

O Assassino Noturno: eloquência não era sua especialidade

da trama. É aí que entra, em Stallone Cobra, a gangue de fanáticos, liderada pelo Assassino Noturno - interpretado por Brian Thompson, um velho conhecido dos fãs da série Arquivo X – um psicopata que adora estripar suas vítimas com uma faca extremamente afiada e que quer construir uma “nova ordem”, eliminando os mais fracos da sociedade. Nesse contexto, é inserida a personagem de Brigitte Nielsen (de Um Tira da Pesada

Brigitte Nielsen nos tempos de "alimentação saudável"

II), uma modelo que teve o azar de presenciar um crime envolvendo os maníacos e que precisa ser protegida pelo “policial com problema de atitude”. 
Stallone Cobra é um prato cheio para os fãs do gênero Ação. Não faltam explosões, tiros e perseguições de carros eletrizantes, quase ao estilo da franquia “Velozes e Furiosos”. Além disso, a produção entra no hall da fama do cinema oitentista por produzir uma enorme quantidade de jargões cinematográficos, comumente lembrados, na íntegra, através da clássica versão dublada. 


Curiosidades sobre o filme 

Blooper Alert!

- Numa cena no começo do filme, um blooper é claramente visível. Quando Cobretti rasga a camiseta de um dos traficantes que estavam ocupando a vaga de estacionamento dele, pode-se ver, no peitoral do ator, um microfone colado com esparadrapo, utilizado pela produção do filme; 


Ele não disse as palavrinhas mágicas

- Um dos antagonistas do filme é um velho conhecido dos fãs da série Star Trek – Deep Space Nine. Andrew Robinson era o intérprete do misterioso Cardassiano Garak; 

 

Vamos faturar?


- Nem só de bilheteria vive um filme. Stallone Cobra tinha sua dose de merchandising a olhos (bem) vistos; 


- Contagem de corpos: 52, sendo que 41 (!) foram mortos por Cobretti. 



CITAÇÕES

“Cretino. Você adora dar tiro. Eu odeio gente assim. Você é imaturo. Você é um cocô e eu vou te matar.” – Cobretti. 

“Com louco eu não negocio, eu mato” – Cobretti. 

 “Não gosta de peixe? Peixe é bom.” – Cobretti. 



Stallone Cobra (Cobra, EUA, 1986). Elenco: Sylvester Stallone, Brigitte Nielsen e Brian Thompson. Direção: George P. Cosmatos. 



TRAILER 



Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB

terça-feira, 3 de outubro de 2017

FRAMES-RETRÔ: Num pacato subúrbio americano, Tom Hanks vê sua paz acabar em Meus Vizinhos são um Terror

Fábio Pereira 
xanderfbi@hotmail.com 

Tom Hanks é, atualmente, reconhecido internacionalmente e premiado por seus papéis dramáticos no cinema, no entanto para os mais novatos na Sétima Arte, vale ressaltar aqui que ele começou sua carreira em filmes mais (ou totalmente) voltados para a comédia. Já tendo no currículo alguns clássicos do cinema oitentista, como A Última Festa de Solteiro (1984), Um Dia a Casa Cai (1986) e Quero ser Grande (1988) - só para citar alguns - em Meus Vizinhos são um Terror Hanks topou participar de seu primeiro papel em que interpretaria um pai de família (algo que ele tinha evitado anteriormente por medo de ficar taxado como “sério demais”).
Desafio aceito e ele nos proveu um de seus mais divertidos e notórios personagens de sua longa trajetória cinematográfica. 
Em Meus Vizinhos são um Terror, Tom Hanks é Ray Peterson, um pacato morador de um clássico subúrbio americano, sem muros altos ou cercas elétricas. Assim como seus vizinhos normais, ele se preocupa apenas como conservar seu jardim, polir seus carro e passear com seu cão, até que um fato vem para arranhar a face perfeita do cotidiano de todos. Os novos inquilinos de uma casa, na

Os "Vizinhos vindos do Inferno"

rua em que passa a ação, raramente são vistos durante o dia, mas fazem barulhos suspeitos à noite. Quando um morador idoso some misteriosamente, Peterson, com a ajuda de um militar durão e um amigo folgado, resolvem investigar o fato e as suspeitas os levam à estranha família Klopek. 
Meus Vizinhos são um Terror é um filme divertido, que mistura uma comédia textual com um mistério que só aumenta a cada minuto da trama, deixando o espectador ávido por mais. Créditos para o diretor Joe Dante (de Viagem ao Mundo dos Sonhos – 1985), que conseguiu tirar o melhor de um elenco com uma química que transparece na tela, pois além de Hanks, temos o estereótipo do militar patriota

Pausa para o café com biscoitos

100% americano (Bruce Dern, de 1969 – O Ano que Mudou Nossas Vidas); o amigo aproveitador (o saudoso Rick Ducommun, de Duro de Matar - 1988); a juventude vigorosa, representada por Corey Feldman, de Os Garotos Perdidos [leia o review]; a esposa dedicada e racional (a saudosa Carrie Fischer, que dispensa referências); e os estranhos da vizinhança: a família composta por um médico/pintor (o saudoso Henry Gibson, de Os Irmãos Cara de Pau – 1980), seu irmão nada simpático (Brother Theodore, em sua última participação no cinema), e o “Pinóquio Bizarro” (Courtney Gains, de Namorada de Aluguel – 1987)
Com uma ótima trilha sonora, composta pelo já falecido Jerry Goldsmith, Meus Vizinhos são um Terror figura entre os melhores da década de 1980 e, depois de ser visto pelo menos uma vez, fará você começar a olhar mais atentamente para certos vizinhos que agem de maneira nada usual. 


Curiosidades sobre o filme 

My Precious


 - A cadelinha “Queenie” tem bagagem cinematográfica. Ela também esteve presente num filme de 1991, sobre um certo psicopata de nome Dr. Hannibal Lecter;



- Um dos filmes que o personagem de Hanks assiste na TV é o clássico do terror O Exorcista (1973)


- No começo da trama, numa cena rápida, pode-se ver uma caixa de cereais com a foto do Gizmo na capa. Joe Dante também dirigiu Gremlins (1984)

Computador, ativar o HME?



- Robert Picardo, o Holograma Médico de Emergência, da série Star Trek: Voyager aparece num pequeno papel interpretando um lixeiro. 


CITAÇÃO

“Eu quero matar todo mundo. Satanás é bom. Satanás é nosso amigo.” – Art. 


Meus Vizinhos são um Terror (The ‘Burbs, EUA, 1989). Elenco: Tom Hanks, Carrie Fischer e Corey Feldman. Direção: Joe Dante. 




TRAILER 


  

Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB

O Criador Insano

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