segunda-feira, 31 de julho de 2017

FRAMES-RETRÔ: “Os Aventureiros do Bairro Proibido” – Você se lembra do que o velho Jack Burton sempre diz?

Fábio Pereira 
xanderfbi@hotmail.com 

John Carpenter é um notório americano, com uma alta capacidade para escrever os roteiros ou compor as trilhas de algumas de quase todas as suas produções. Como diretor, não sou fã de todos os seus trabalhos. Longe disso! Somente algumas pérolas dos Anos 1980 fazem parte do meu vício pela década e, é claro, entre elas está o ótimo Big Trouble in Little China (batizado como “Os Aventureiros do Bairro Proibido” por essas bandas)
Concebido para ser originalmente um faroeste (!), Carpenter optou por produzir a narrativa nos tempos modernos (sábia decisão). Com isso, nos brindou com uma pérola cinematográfica que, se para alguns somente é um dos icônicos filmes eternamente repetidos na “Sessão da Tarde”, para muitos é uma produção atemporal, com uma divertida aventura envolvendo um simples caminhoneiro combatendo magia negra chinesa e seres poderosos, quase além da compreensão humana. 
Parte do elenco principal: "A China é aqui, senhor Burton".
Bons filmes precisam, sempre, de bons atores e, nesse quesito, Os Aventureiros do Bairro Proibido está muito bem servido. Kurt Russell (figurinha carimbada em outras produções de Carpenter) encarnou um dos personagens mais memoráveis de sua carreira. Jack Burton, em suas tiradas divertidas, transparece uma força interior e uma grande coragem, todas atribuídas ao estilo 100% americano de ser nas telonas, mas que mostra sua solidez e empatia com o público a cada diálogo proferido. Russell também teve a sorte de ter uma química perfeita com seu interesse amoroso na produção (Kim Cattrall, do divertido Loucademia de Polícia). Os Aventureiros do Bairro Proibido conta ainda com um vilão de peso (James Hong, de Blade Runner – O Caçador de Androides), seus capangas com poderes sobrenaturais (os três Temporais) e, completando o lado dos mocinhos, o saudoso Victor Wong (de O Ataque dos Vermes Malditos) como o especialista no demônio Lo Pan e Dennis Dun (do sombrio e excelente Príncipe das Sombras) como o braço direito de Burton, além de Donald Li e Kate “Burton” interpretando os alívios cômicos. 

Para os fãs de carteirinha, aqui vão algumas curiosidades do filme:

- Jack Burton saiu ganhando por tudo o que passou! Em sua aposta, com Wang Chi, ele tinha $ 1.148 no bolso e, ao final, lucrou $3.444 (o triplo ou nada!)

- Para os fãs da série Arquivo X (o/), vale notar a rápida aparição, no início do filme, de Jerry Hardin (o “Garganta Profunda”, informante do agente Fox Mulder)

Os três Temporais: os capangas de Lo Pan

- O personagem do jogo Mortal Kombat, Raiden, foi baseado num dos três Temporais (nem preciso dizer qual deles, né?)




Para quem ainda não conhece essa ótima e divertida produção oitentista, assista e tenha uma frase no gatilho para quando perguntarem “se você está pronto”. 


CITAÇÃO


“Você sabe o que o velho Jack Burton sempre diz numa situação dessas? Ele diz: Qual é a parada?” – Burton, Jack. 



Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China, EUA, 1986). Elenco: Kurt Russell, Kim Cattrall e Dennis Dun. Direção: John Carpenter. 


Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB.




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Post atualizado em 28/06/2018.

terça-feira, 25 de julho de 2017

FRAMES-RETRÔ: “Os Garotos Perdidos” – Vampiros e Mullets na capital mundial dos assassinatos

Fábio Pereira 
xanderfbi@hotmail.com 

Muito antes de os vampiros serem reduzidos a criaturas que brilham na luz, vivem romances açucarados e não impõem medo em ninguém, o cinema da década de 1980 já nos brindava com um filme que é uma referência, até hoje, quando se fala sobre os sugadores de sangue. 
Os Garotos Perdidos pode até ser enquadrado na categoria “Sessão da Tarde”, mas está muito além disso. A película, sob a direção entusiasmada de Joel Schumacher (do ótimo “Linha Mortal”), deu um ar de jovialidade no segmento que era mais direcionado ao Homini Nocturna mais conhecido do cinema contemporâneo, o Conde Drácula. Mas esqueça dos castelos empoeirados de séculos passados e atores com roupas esvoaçantes! Nesse terror - estrelado por um hoje sumido Jason Patrick (de Sleepers – A Vingança Adormecida), os “Coreys” que fizeram sucesso em diversos outros filmes, uma Dianne Wiest (de Edward Mãos de Tesoura) em atuação discreta e um Kiefer Sutherland anos luz de distância do conhecido Jack Bauer - o clima adolescente impera e boa parte da cultura dos Anos 1980 é bem retratada na tela, enchendo os olhos dos adoradores daquela maravilhosa época. 
Jamison Newlander, Corey Haim e Corey Feldman: vítimas da moda
Na trama de Os Garotos Perdidos, após mudarem para uma nova cidade no norte da Califórnia (Santa Carla – A Capital Mundial dos Assassinatos, batizada numa pichação em um outdoor), dois irmãos adolescentes e sua mãe se veem envolvidos nos mistérios de uma gangue de motoqueiros que escondem muito mais que seus Mullets podem encobrir. 
Os Garotos Perdidos é um daqueles filmes que a gente sente prazer em rever inúmeras vezes, não somente pela trama bem amarrada, mas também por diversos outros fatores, como os figurinos da época, - que hoje podem parecer de vítimas da moda, como um dos personagens secundários eloquentemente caracteriza – o visual Rock Mullet dos vampiros, a influência hippie também nas indumentárias e a maravilhosa trilha sonora, que atua quase como um personagem extra, complementando as sequências com músicas do INXS e Echo and The Bunnymen (numa versão da maravilhosa “People Are Strange” do The Doors), entre outras. 
Os vampiros e seus visuais com influências Rock Mullet e Hippie
Para os mais sensíveis, armem-se com água benta e estacas e apreciem a viagem. 

Em tempo: Prestem atenção no personagem do ator Barnard Hughes (de Dr. Hollywood – Uma Receita de Amor). Ele tem um papel bem divertido na conclusão da trama. 


“Nunca convide um vampiro para a sua casa, garoto bobo. Ele te deixa sem poderes.” – Max. 


Os Garotos Perdidos (The Lost Boys, EUA, 1987). Elenco: Jason Patrick, Corey Haim e Dianne Wiest. Direção: Joel Schumacher. 


TRAILER 

 

Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB. 




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segunda-feira, 10 de julho de 2017

FRAMES-TV: Existe esperança para “Fear The Walking Dead”?



Fábio Pereira



AVISO! A matéria a seguir contém spoilers sobre a série “Fear The Walking Dead”. Se não quiser saber sobre eles, pare de ler aqui e clique em algum de nossos outros posts. 



Spin-offs (séries derivadas) são tentativas que os estúdios realizam para estender o sucesso das séries originais e gerar mais audiência para novos e antigos espectadores, mas nem sempre dão certo e fazem o mesmo sucesso.
Como fã da série original (The Walking Dead), fiquei bastante empolgado quando anunciariam que haveria um spin-off que mostraria o início do apocalipse zumbi, sem relação direta com Rick Grimes & Cia. Um mundo de possibilidades estava aberto! Uma delas seria a revelação do mistério por trás da infecção zumbi, fato que acabou não se concretizando e nem se concretizará, segundo o criador das duas séries, Robert Kirkman. Decepções à parte, o início do apocalipse zumbi seria um cenário fantástico para mostrar, não somente como as pessoas reagiram ao caos, mas também o lado das autoridades e militares. Só que, com o término das duas primeiras temporadas, a produção cometeu um erro primordial em acelerar a trama, fazendo com que os sobreviventes de FTWD começassem a passar por situações muito similares pelas quais os sobreviventes de TWD passam, tornando o spin-off previsível e cansativo. 
Victor Strand: o trapaceiro do mundo zumbi
Mesmo com a inclusão de personagens novos e interessantes, como Victor Strand (interpretado pelo ótimo Colman Domingo), a série perdeu muita força, justamente por continua dando um ritmo quase vertiginoso ao que deveria ser muito mais comedido. Ainda sobre a segunda temporada, a produção (novamente) perdeu grandes oportunidades em se desvencilhar da trama da série original. A história sobre a fuga de Travis & Cia. no iate de Strand poderia ter se estendido, tornando FTWD mais atrativa num cenário de apocalipse zumbi em alto mar. Além disso, o descarte de personagens fortes como a sobrevivente da queda de um avião (vinda dos episódios feitos exclusivamente para a web) também contribuiu para que novos e unidimensionais personagens surgissem e nada acrescentassem à trama principal.
Foto da primeira temporada: no canto direito, o cover do Boy George
Com o fim da primeira metade da terceira temporada, apesar do bom fortalecimento de alguns personagens, como Daniel Salazar (Rubén Blades, o Danny Archuleta de Predador 2) e Madison Clark (Kim Dickens, a Cassidy Phillips de Lost), FTWD continua em seu calvário, rumo a um fim precoce (um alto executivo da AMC já afirmou que a série acaba na quinta temporada), repetindo muitas tramas da série original e até mesmo adicionando elementos familiares dela (em um episódio, Madison e a Milícia matam prisioneiros zumbificados, que capotaram num ônibus com destino a uma prisão).
Fear The Walking nem chega perto dos índices de audiência da série original (apesar de sua queda vertiginosa, devido a uma fraca oitava temporada), mas aos trancos e barracos segue cambaleando mais que os mortos sedentos por carne. Para os fãs da série, fica a dúvida se realmente a esperança é a última que morre.