sábado, 18 de junho de 2011

FRAMES-RESENHA:O Desespero da massa trabalhista retratada em TEMPOS MODERNOS


Por Donovan Mc Dulles

O ponteiro do relógio se aproxima das 6h da manhã. A hora do trabalhador está chegando e este será mais um longo dia. O cineasta abre com imagens de ovelhas em um caminho apertado entrando em seu curral, é uma alusão ao trabalhador que aparece em uma cena seguinte da mesma forma subindo as escadarias do metrô em um andar frenético num empurra-empurra tentando conseguir um espaço para caminhar e não se atrasar.

Charles Chaplin sempre foi um escritor e diretor que expressou em seus filmes as condições sociais, mas nunca deixando de lado a forma cômica e sutil de retratar a realidade capitalista que em Tempos Modernos nos apresenta um operário estressado em uma jornada de trabalho quase escravista de um exercício repetitivo e sua insatisfação que o leva ao baixo desempenho e até mesmo a uma crise nervosa, como aconteceu com nosso heroi Carlitos. O telespectador sente as angústias e sofrimentos vividos pelos trabalhadores daquela época.

Tempos Moderno, remete a situação do trabalhador em uma década de crise após a quebra da bolsa de valores americana em 1929. Naqueles anos tenebrosos a produção industrial norte-americana reduziu-se pela metade. Muitos foram à falência, cerca de 130 mil estabelecimentos e 10 mil bancos. As mercadorias que não tinham compradores eram literalmente destruídas, ao mesmo tempo em que milhões de pessoas passavam fome. Em 1933 o país tinha mais de 17 milhões de desempregados. Diante de tal realidade o presidente Herbert Hoover, apelidado de "presidente da fome", procurou auxiliar as grandes empresas capitalistas, representadas por industriais e banqueiros, nada fazendo, contudo, para reduzir o grau de miséria das camadas populares. Isso causou grandes manifestações públicas e fez o Partido Comunista, apesar de pequeno, mobilizar importantes setores da classe trabalhadora.

Com todas essas pressões sociais e um monitoramento constante de seu capataz e o dono da fábrica que observava seus operários, até em um grande monitor no banheiro, como no filme 1984 de Micheal Radford, Carlitos sofre um surto psicótico e é internado em um hospital psiquiátrico.

O Processo de produção taylorista visava uma maior quantidade de produtos em tempo recorde, porém isso causava grandes prejuízos para a saúde do trabalhador que não era amparado pelas leis trabalhistas. O operário passava por situações constrangedoras como ser escolhido para testar uma máquina alimentadora que visava aumentar a produtividade do trabalhador sem parar para almoços. O desastre na demonstração quase mata o personagem Carlitos, e no fim ninguém sequer pergunta se ele está bem após passar grandes sufocos na hora dos testes.

O trabalho repetitivo, e a cada hora o capataz aumentando a velocidade de produção por ordens do dono da fábrica levaram o operário a trabalhar cada vez mais rápido e acaba criando briga com seus colegas que ficam atrasados no serviço por culpa dele. Resulta que o funcionário fica doente e sem seus direitos trabalhistas perde o emprego sem remuneração e, ainda é preso pelo caos causado pelo surto dentro da fábrica.

Após a recuperação de sua sanidade, fato esse inspirado de sua vida em um período que sua mãe foi internada num hospital psiquiátrico, Carlitos é jogado novamente a sociedade sem casa nem trabalho caindo em uma das diversas manifestações que ocorriam nas ruas. É preso e sai como heroi evitando a fuga de outros detentos. Com uma carta de recomendação do xerife, tenta procurar emprego em uma cidade com poucas oportunidades. Sem qualificação, não se estabiliza em nenhum dos trabalhos que conseguiu.

Vítima de um processo taylorista/fordista se vê angustiado com a situação a época em que as oportunidades de empregos eram poucas, principalmente para àqueles que desempenhavam uma única função. Desiludido, cria um falso ideário, de que dentro do presídio, onde estivera era bem melhor, tinha o respeito dos guardas, cama e comida fornecida de graça pelo Estado. Estava longe do pesadelo que a sociedade vivenciava.

A Psicologia denomina de reação deliróide, baseada em um determinado estado de ânimo, a partir do qual se tornam compreensíveis a significação dos pensamentos anormais. Um estilo característico de humor perturbado, que pode aparecer em situações adversas um conceito acabado e finalizado da triste realidade.

Tempos Modernos, é um filme que retrata a perversa realidade do capitalismo a época, dores vividas pela sociedade e que é bem conhecida por Chaplin que sofreu bastante com a fome, desemprego e doenças durante sua infância. Trata da busca pela felicidade de um operário sofrido pelas crises sociais e critica o modo da produção capitalista recriminando a forma como os trabalhadores eram tratados pelos empresários e a necessidade de uma solução para os problemas gerados com a Grande Depressão.



sexta-feira, 17 de junho de 2011

FRAMES-RETRÔ: Fenda no Tempo – O que realmente acontece com o passado?

Fábio Pereira 
xanderfbi@hotmail.com

O escritor Stephen King é conhecido por suas ideias nada convencionais em suas criações. Algumas adaptações de seus livros e contos fizeram sucesso no cinema, como À Espera de um Milagre, estrelado por Tom Hanks, Carrie – A Estranha, um clássico do terror, e o ótimo O Nevoeiro [leia a crítica]. Mas nem só de seres monstruosos ou humanos com “super poderes” vive o escritor. O tema viagens no tempo, bastante explorado na telona, usualmente explorando a premissa do escritor H.G.Wells, toma uma forma completamente diferente em "The Langoliers" (traduzido no Brasil como Fenda no Tempo). Feito para TV e dividido em duas partes, com duração total de 3 horas, essa produção pode parecer medíocre a olhos mais críticos, devido ao fato de não contar com efeitos especiais mais elaborados ou a presença de atores de renome, no entanto a história em si envolve o espectador de uma maneira que a necessidade em desvendar o que está acontecendo aos personagens se torna quase uma obsessão.
A trama se passa em um voo rotineiro de Los Angeles a Boston, onde algo extraordinário acontece, e 10 passageiros que estavam dormindo descobrem que são os únicos vivos no avião, sendo que até os pilotos desapareceram. Por obra do destino, o piloto Brian Engle (David Morse, de A Rocha) assume os
David Morse é o piloto que leva todos para Bangor
controles e tenta aterrissar o avião em algum aeroporto, mas sem conseguir contato pelo rádio com ninguém a situação fica crítica. Sem alternativas, ele leva a aeronave até  a cidade americana de Bangor (estado do Maine), local em que o tráfego aéreo é menos intenso. Ao chegar ao terminal, os passageiros encaram uma chocante realidade: não há uma alma viva no local, os telefones não funcionam e tudo o que conseguem escutar é um assustador barulho que parece se aproximar cada vez mais rápido, vindo na direção deles.
O que difere Fenda no Tempo ainda mais de outras produções do gênero são elementos que deixam a trama envolta num mistério que vai se desvendando de maneira gradual e não automática, tornando o filme mais interessante, ainda que certos elementos destoem da narrativa (a garota cega que possui poderes psíquicos e o passageiro que é assombrado por visões de seu pai severo). Mas são esses mesmos elementos que se mostram partes essenciais para desvendar o que realmente acontece com o passado.
Mas que bigodinho mal talhado, hein Sr. King?
Não perca o Frame: quase ao final do filme o escritor Stephen King faz uma participação especial, interpretando o chefe de um dos passageiros, que delira pensando estar numa reunião.



Fenda no Tempo (The Langoliers, EUA, 1995). Elenco: David Morse, Patricia Wettig e Dean Stockwell. Direção: Tom Holland.




TRAILER 




Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB.

Post atualizado em 19/03/2018.




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sexta-feira, 3 de junho de 2011

FRAMES-CRÍTICA: O Vencedor – História real no mundo do boxe

Fábio Pereira (xanderfbi@hotmail.com)



Existem inúmeras produções que falam sobre o mundo do boxe, mostrando a superação dos lutadores sobre inúmeras dificuldades. Exemplos clássicos que podemos citar envolvem a franquia “Rocky Balboa”, eternizada por Sylvester Stallone e Touro Indomável, com Robert De Niro. Essas produções se destacam por mostrar dramas, não da vida real, mas ficções bombardeadas de reviravoltas. Em O Vencedor, a coisa muda de figura. A narrativa foca na história real de Dicky Ecklund (Christian Bale, de O Exterminador do Futuro – A Salvação), um lutador que teve seu auge ao derrotar o campeão mundial Sugar Ray Leonard, colocando a pequena cidade americana de Lowell no mapa. Com a carreira em declínio, devido ao uso abusivo de entorpecentes, Dicky começa a treinar seu irmão Micky Ward (Mark Wahlberg, de Os Infiltrados), que tenta avançar na carreira de lutador. Mas com a família colocando Micky em segundo plano, as chances de ascensão se tornam mínimas, o que o leva a deixar o lado familiar em segundo plano e focar a carreira profissional em primeiro lugar.
O que diferencia “O Vencedor” das outras produções de sucesso não é somente o lado humano transmitido na tela, mas também a primorosa interpretação de Christian Bale que, magro ao extremo, retrata o lado ruim e a decadência que as drogas causam na vida de uma pessoa. Este fator, inclusive, rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante a Bale na cerimônia deste ano.
O filme também rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante a Melissa Leo, que interpreta a mãe intempestiva dos protagonistas principais.



O Vencedor (The Fighter, EUA, 2010). Elenco: Christian Bale, Mark Wahlberg e Amy Adams. Direção: David O. Russell.



Nota – 8 Frames

 
Pontuação
01 a 02 Frames – Ruim/03 a 04 Frames – Regular/05 a 06 Frames – Bom
07 a 08 Frames – Ótimo/09 a 10 Frames - Obra Prima


TRAILER LEGENDADO




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Post atualizado em 03/03/2018.