segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

FRAMES-RETRÔ: Poltergeist: O Fenômeno em que a tensão e o medo evoluem

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com

Se existe um gênero cinematográfico que parece não perder o fôlego com o passar dos anos este é o Terror. São centenas (ou até milhares) de produções lançadas anualmente com um único objetivo em comum: fazer o espectador sentir medo. O problema é que, na avaliação deste que vos escreve, a maioria das produções esquece que o medo deve vir através de uma sensação de insegurança e a utilização somente de artifícios visuais nem sempre causa o efeito almejado. Por isso, salvo algumas produções mais recentes, ainda indico maravilhosas e antigas películas que, se não possuem os efeitos visuais e especiais modernos, ainda causam tensão até hoje.
Poltergeist – O Fenômeno é aquele tipo de filme que todo mundo (ou quase) já assistiu numa noite de Halloween ou se lembra de ter assistido algumas partes em madrugadas insones diante da TV aberta ou à Cabo (“Não é aquele filme da menina que fala com a TV?” – questionou um conhecido!). Sim, numa definição pobre de palavras, Poltergeist é mesmo aquele filme da menina que fala com a TV, mas como estou aqui para indicar uma verdadeira pérola do cinema oitentista, irei a fundo para desvendar o fascínio por trás dessa grande obra de Steven Spielberg. E, antes mesmo de você erguer sua voz ou ativar o Caps Lock do seu teclado e afirmar que “o Spielberg era apenas o produtor e roteirista, como consta nos créditos”, te acalmo afirmando que ele foi realmente o responsável que fez de Poltergeist um estrondoso sucesso.
Envolvido ao mesmo tempo com outro filme que virou sucesso em

I don't think so!

1982 (E.T. – O Extraterrestre), Spielberg acabou por indicar Tobe Hooper (de Força Sinistra [leia o review]) para ficar à frente do projeto, no entanto através de entrevistas posteriores, alguns atores do elenco confirmaram que a força criativa e a maioria das cenas foram realmente conduzidas por Steven Spielberg (fato que ele nega veementemente até hoje). Louros à parte, num dos raros filmes em que a parceria com o mago John Williams não se realizou, outro gênio entrou em cena para nos deliciar com uma trilha sonora que figura entre as melhores do cinema oitentista: Jerry Goldsmith (in memoriam) foi o compositor que fez com que a trilha de Poltergeist se tornasse um personagem à parte, com seus acordes sinistros que conseguem aumentar a tensão do espectador e, ao mesmo tempo, baixar o nível de adrenalina através de uma harmonia reconfortante.

Carol Anne conversa com "as pessoas da TV"

Mas o que falar sobre a narrativa em si? Numa trama que inicia com o hino americano emanando de um televisor, entra em cena a figura de um anjo em forma de criança que começa a se comunicar com o aparelho fora do ar. Atônita, a família (e o espectador) já sabem, mesmo que subconscientemente, que algo está errado. Com uma maestria notável, os medos irracionais que a infância tratou de impor a muitos, são amplamente explorados durante a película (a velha árvore sinistra no quintal; o boneco do palhaço que parece ter vida própria; trovões e raios; a escuridão). Mais do que isso, o que começa com uma simples diversão para parte da família (a cena em que Carol Anne desliza pelo chão da cozinha), se transforma em tensão e medo, que evoluem com o desaparecimento da criança e a investigação por parte da equipe de parapsicólogos.
Numa época em que o cinema parece esquecer que o terror visual vale muito menos que o terror psicológico, Poltergeist – O Fenômeno ainda pode te causar uns bons e tensos arrepios.



Curiosidades sobre o filme

 

"Billy, você sabe de alguma coisa!"


- Famoso pela participação no filme O Predador (1987), Sonny Landham (in memoriam) aparece numa ponta como um dos operários que constroem a piscina da família Freeling;


Será que a verba da cenografia foi cortada?

 - Os esqueletos utilizados na cena da piscina eram reais e não cenográficos!;


R.I.P.

 - Dominique Dunne (in memoriam), que interpreta Dana Freeling, foi morta (no mesmo ano de estreia do filme nos cinemas) por um ex-namorado apenas 19 dias antes de completar 23 anos;


- O famoso Wilhelm Scream [confira a matéria] pode ser ouvido numa cena rápida em que Carol Anne assiste à TV na cozinha.



SPOILER ALERT

Apesar da avaliação da Dra. Lesh (Beatrice Straight/in memoriam) que os fenômenos se tratam de um Poltergeist (que estão geralmente associados a uma pessoa), ao final do filme descobrimos que, na verdade, tudo era ligado a assombrações (que são associadas a um lugar, no caso a residência construída em cima de um cemitério).



Citações

“Eles estão aqui!” – Carol Anne.

“Esta casa tem muitos corações.” – Tangina.

“Corra para a luz, Carol Anne!” – Diane.

“Você deixou os corpos e só tirou as lápides! Por quê?” – Steve.



Poltergeist – O Fenômeno (Poltergeist, EUA, 1982). Elenco: JoBeth Williams, Craig T. Nelson e Heather O’Rourke. Direção: Tobe Hooper.



TRAILER





Fotos: Divulgação/Internet.

Informações adicionais: IMDB.


 

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