quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

FRAMES-RETRÔ: Curtindo a Vida Adoidado – Quem nunca quis ter o dia de folga de Ferris Bueller?

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com


Quando se fala do cinema oitentista americano é quase impossível não citar o saudoso John Hughes. Diretor, produtor e escritor de películas que, em sua maioria, povoavam o mundo adolescente e a rotina escolar, ele criou muitas pérolas que exploravam essa específica fase da vida de todo ser humano e, é claro, expondo conflitos, paixões, rebeldia, desafio às regras e uma excelente dose de humor saudável. De todos os filmes que Hughes esteve envolvido, talvez o mais icônico seja o do famoso “Dia de Folga” de um certo adolescente, que era tão popular que conseguiu mobilizar quase uma cidade inteira sob a alegação de um falso transplante de rim ("Save Ferris"). Sim, caros leitores do Frames da Imaginação, estou falando de Ferris Bueller’s Day Off - traduzido por aqui como Curtindo a Vida Adoidado – uma produção que, mesmo após 32 anos (!) de lançamento, ainda permanece atemporal e extremamente divertida.
Abe Froman - O rei da salsicha de Chicago
Sob a direção de Hughes (que escreveu o roteiro em apenas 6 dias) numa época em que, nos EUA, a “Geração MTV” estava com força total e ávida por quebrar as regras, o filme foi um tremendo sucesso. Esse é um dos motivos pelo qual Curtindo a Vida Adoidado permanece tão atual, mesmo numa era extremamente conectada em um mundo que, a cada dia, fica mais digital e menos pessoal, pois muitos adolescentes de hoje ainda mantêm vivos em suas mentes os desejos primordiais de décadas passadas. E é exatamente isso que o personagem vivido notavelmente por Matthew Broderick concretiza, sob uma notável aura de malandragem e uma boa dose de sorte a tiracolo.
Ferris e seus parceiros no crime
Ferris engana seus pais com uma falsa doença (e ainda ensina como fazê-lo), cabula aula (o que deixa o diretor de sua escola em seu encalço) e, na companhia de sua namorada (Mia Sara, de A Lenda – 1985) e seu melhor amigo (Alan Ruck, do faroeste Jovens Demais Para Morrer – 1990), tira um Dia de Folga de fazer inveja a muita gente, a bordo de uma magnífica Ferrari. Eles almoçam num restaurante chique, admiram obras de artes num museu, visitam o prédio mais alto de Chicago, dão uma passada na Bolsa de Valores, assistem a um jogo de Beisebol, e é claro, participam de um desfile de rua (na cena mais memorável de toda a película).
Curtindo a Vida Adoidado é um filme que simboliza, em sua essência, a liberdade que todos procuramos e John Hughes, que parecia ter aquele “Toque de Midas” quando se tratava de teen movies, conseguiu transmitir essa emancipação a cada frame e cada diálogo da produção.
Quem nunca quis ter um Dia de Folga igual ao de Ferris Bueller? Eu, sempre!



Curiosidades sobre o filme

A arte imitou a vida ou a vida imitou a arte?
 - Para produzir a aparência de um usuário de drogas, Charlie Sheen passou mais de 48 sem dormir antes de filmar sua participação no filme;


Destruindo seu sonho de consumo em 3, 2, 1...
 - A famosa Ferrari vermelha não era um veículo original da escuderia italiana. Como era muito caro alugar uma, foram feitas três réplicas com chassis de Mustangs, cobertos com carrocerias de fibra de vidro;


Mas ô troço caro!
 - Ferris lamenta não ter um carro, mas tinha um Sintetizador, que custava US$ 8.000,00 em 1984 (!);


John Bender andou por essas escadas
 - A escola fictícia que aparece no filme (Shermer High School) é a mesma de outros dois filmes de John Hughes: Gatinhas e Gatões (1984) e O Clube dos Cinco (1985);


#Tenso
 - Há anos existe uma teoria que Ferris era somente o fruto da imaginação de Cameron, que o criou porque não tinha amigos e era incapaz de enfrentar seu pai. Então, todo o filme teria se passado apenas na mente de Cameron, que estava em sua cama, doente;



-Há cenas adicionais durante e ao final dos créditos.


Citações
“É legal saber que tenho pais tão adoráveis e cuidadosos.” – Ferris Bueller.

“Como é que esperam que eu vá à escola num dia como este?” – Ferris Bueller.

“A vida passa bem depressa. Se, de vez em quando, você não parar para aproveitar, vai acabar não vivendo.” – Ferris Bueller.

“Ferris, meu pai ama esse carro mais que a própria vida.” – Cameron.

“Se você tivesse acesso a um carro igual a esse, iria querer devolvê-lo correndo?... Nem eu!” - Ferris Bueller.

“Les jeux sont faits. Tradução: o jogo acabou. Seu rabo é meu!” – Rooney.

“A – Você nunca pode ir longe demais. B – Se eu vou ser preso, não vai ser por causa de um cara desses.” - Ferris Bueller.



Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, EUA, 1986). Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck e Mia Sara. Direção: John Hughes.



TRAILER



Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Gif do Dia

Praticando a "tolerância" com Rorschach



"Eu não estou preso aqui com vocês. São vocês que estão presos aqui comigo."

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

FRAMES-RETRÔ: Poltergeist: O Fenômeno em que a tensão e o medo evoluem

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com

Poltergeist 1982
Se existe um gênero cinematográfico que parece não perder o fôlego com o passar dos anos este é o Terror. São centenas (ou até milhares) de produções lançadas anualmente com um único objetivo em comum: fazer o espectador sentir medo. O problema é que, na avaliação deste que vos escreve, a maioria das produções esquece que o medo deve vir através de uma sensação de insegurança e a utilização somente de artifícios visuais nem sempre causa o efeito almejado. Por isso, salvo algumas produções mais recentes, ainda indico maravilhosas e antigas películas que, se não possuem os efeitos visuais e especiais modernos, ainda causam tensão até hoje.
Poltergeist – O Fenômeno é aquele tipo de filme que todo mundo (ou quase) já assistiu numa noite de Halloween ou se lembra de ter assistido algumas partes em madrugadas insones diante da TV aberta ou à Cabo (“Não é aquele filme da menina que fala com a TV?” – questionou um conhecido!). Sim, numa definição pobre de palavras, Poltergeist é mesmo aquele filme da menina que fala com a TV, mas como estou aqui para indicar uma verdadeira pérola do cinema oitentista, irei a fundo para desvendar o fascínio por trás dessa grande obra de Steven Spielberg. E, antes mesmo de você erguer sua voz ou ativar o Caps Lock do seu teclado e afirmar que “o Spielberg era apenas o produtor e roteirista, como consta nos créditos”, te acalmo afirmando que ele foi realmente o responsável que fez de Poltergeist - O Fenômeno um estrondoso sucesso.
Envolvido ao mesmo tempo com outro filme que virou sucesso em

I don't think so!

1982 (E.T. – O Extraterrestre), Spielberg acabou por indicar Tobe Hooper (de Força Sinistra [leia o review]) para ficar à frente do projeto, no entanto através de entrevistas posteriores, alguns atores do elenco confirmaram que a força criativa e a maioria das cenas foram realmente conduzidas por Steven Spielberg (fato que ele nega veementemente até hoje). Louros à parte, num dos raros filmes em que a parceria com o mago John Williams não se realizou, outro gênio entrou em cena para nos deliciar com uma trilha sonora que figura entre as melhores do cinema oitentista: Jerry Goldsmith (in memoriam) foi o compositor que fez com que a trilha de Poltergeist - O Fenômeno se tornasse um personagem à parte, com seus acordes sinistros que conseguem aumentar a tensão do espectador e, ao mesmo tempo, baixar o nível de adrenalina através de uma harmonia reconfortante.

Carol Anne conversa com "as pessoas da TV"

Mas o que falar sobre a narrativa em si? Numa trama que inicia com o hino americano emanando de um televisor, entra em cena a figura de um anjo em forma de criança que começa a se comunicar com o aparelho fora do ar. Atônita, a família (e o espectador) já sabem, mesmo que subconscientemente, que algo está errado. Com uma maestria notável, os medos irracionais que a infância tratou de impor a muitos, são amplamente explorados durante a película (a velha árvore sinistra no quintal; o boneco do palhaço que parece ter vida própria; trovões e raios; a escuridão). Mais do que isso, o que começa com uma simples diversão para parte da família (a cena em que Carol Anne desliza pelo chão da cozinha), se transforma em tensão e medo, que evoluem com o desaparecimento da criança e a investigação por parte da equipe de parapsicólogos.
Numa época em que o cinema parece esquecer que o terror visual vale muito menos que o terror psicológico, Poltergeist – O Fenômeno ainda pode te causar uns bons e tensos arrepios.



Curiosidades sobre o filme

 

"Billy, você sabe de alguma coisa!"


- Famoso pela participação no filme O Predador (1987), Sonny Landham (in memoriam) aparece numa ponta como um dos operários que constroem a piscina da família Freeling;


Será que a verba da cenografia foi cortada?

 - Os esqueletos utilizados na cena da piscina eram reais e não cenográficos!;


R.I.P.

 - Dominique Dunne (in memoriam), que interpreta Dana Freeling, foi morta (no mesmo ano de estreia do filme nos cinemas) por um ex-namorado apenas 19 dias antes de completar 23 anos;


- O famoso Wilhelm Scream [confira a matéria] pode ser ouvido numa cena rápida em que Carol Anne assiste à TV na cozinha.



SPOILER ALERT

Apesar da avaliação da Dra. Lesh (Beatrice Straight/in memoriam) que os fenômenos se tratam de um Poltergeist (que estão geralmente associados a uma pessoa), ao final do filme descobrimos que, na verdade, tudo era ligado a assombrações (que são associadas a um lugar, no caso a residência construída em cima de um cemitério).



Citações

“Eles estão aqui!” – Carol Anne.

“Esta casa tem muitos corações.” – Tangina.

“Corra para a luz, Carol Anne!” – Diane.

“Você deixou os corpos e só tirou as lápides! Por quê?” – Steve.



Poltergeist – O Fenômeno (Poltergeist, EUA, 1982). Elenco: JoBeth Williams, Craig T. Nelson e Heather O’Rourke. Direção: Tobe Hooper.



TRAILER




Fotos: Divulgação/Internet.

Informações adicionais: IMDB

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

FRAMES-RETRÔ: Deu a Louca nos Monstros: você sabe quem chamar?

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com

Com os novos aficionados por Stranger Things (e a onda do revival pelos Anos 1980), muita gente sai em busca de referências aos filmes que são inspiração à maravilhosa série da Netflix. No Frames-Retrô de hoje trago a vocês, leitores do Frames da Imaginação, não uma referência direta, mas um dos filmes mais divertidos daquela maravilhosa década do cinema americano. The Monster Squad (traduzido pela versão brasileira BKS como “Deu a Louca nos Monstros”) é uma homenagem aos grandes monstros clássicos que provocaram medo e fascínio a muitos adoradores do gênero: Drácula, o Monstro de Frankenstein, o Lobisomem, a Múmia e o Monstro da Lagoa Negra. Mas não bastava somente reunir essa equipe infernal, era necessário achar adversários de peso (ou não) para enfrenta-los. É aí que o roteiro do filme diz ao que veio e coloca em cena um grupo de crianças, que é fã de filmes de terror e se reúne numa típica (e 100% americana)

A "Patrulha Monstro" combate as forças das trevas

casa da árvore. Eles acabam por descobrir que os seres malignos estão aterrorizando a cidade, atrás de um amuleto místico, e mesmo sem experiência alguma e (quase) nenhuma ajuda, resolvem impedi-los.
Sob o comando do diretor Fred Dekker (de A Casa do Espanto [leia o review]), The Monster Squad cumpre seu papel em homenagear não somente os monstros clássicos (através das indumentárias, maquiagens e adereços), mas também transmite um breve ar nostálgico que se

Os monstros clássicos do cinema

torna presente nas cenas iniciais, passadas na distante Transilvânia (Romênia) e na figura do célebre caçador de vampiros Abraham Van Helsing. Mais pontos extras para a produção são a utilização de clichês clássicos do gênero (de forma positiva!), como o medo infantil do temível Monstro do Armário (na cena entre Eugene, seu pai e a Múmia), além da já clássica exigência da pureza de uma virgem para que se abra o portal para o Limbo.
Enfim, “Deu a Louca nos Monstros” pode não ter referência direta com Stranger Things, mas com certeza vai ter uma referência direta com a sua diversão.



Curiosidades sobre o filme


Chocolate com um sabor especial



- Jason Hervey, famoso por ser o irmão babaca de Kevin Arnold na série Anos Incríveis, interpreta um papel similar na película;

Ela nunca precisou ver seu coelho cozido


 - Ashley Bank recusou um papel em Atração Fatal (1987), para interpretar a pequena Phoebe;


"Goonies never say die."


- Mary Ellen Trainor (in memoriam), que interpreta a mãe de Sean e Phoebe, atuou num papel similar no clássico Os Goonies (1985).


Citações
“Leia! Ou todos nós vamos morrer!” – Abraham Van Helsing.

“Mortos de dois mil anos não se levantam e andam sozinhos.” – Del.

“Lobisomem tem saco!” – Horace.

“Eu disse: só há uma maneira de matar um lobisomem.” – Rudy.



Deu a Louca nos Monstros (The Monster Squad, EUA, 1987). Elenco: Andre Gower, Stephen Macht e Mary Ellen Trainor. Direção: Fred Dekker.



TRAILER




Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB

O Criador Insano

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