terça-feira, 8 de maio de 2018

FRAMES-RETRÔ: Uma viagem de carro se transforma num pesadelo quando “A Morte Pede Carona”

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com

Um dos maiores inimigos de um motorista, que dirige por longas horas seguidas, é o sono. Ele, como um vilão silencioso, chega quase sem avisar e diminui drasticamente os reflexos de quem está ao volante. Mas, no universo cinematográfico dos Anos 1980, existe um vilão muito maior e letal, personificado na figura de um simples (porém assustador) desconhecido pedindo carona. Em A Morte Pede Carona (The Hitcher/1986), essa figura sombria batizada como John Ryder é encarnada pelo grande Rutger Hauer (in memoriam), que com sua serenidade ameaçadora criou um dos grandes psicopatas do cinema mundial. É numa paisagem quase desértica que Ryder encontrará (e atormentará) sua vítima mais ilustre (personificada com uma inocência marcante pelo jovem C. Thomas Howell), além da vitima do acaso (Jennifer Jason Leigh, com um sotaque Texano carregado).
Mas A Morte Pede Carona é mais que um thriller de ação (perseguições de carros, helicópteros e explosões estão presentes a toda hora). A trama - que mostra Jim Halsey (C. Thomas Howell, de Uma Família em Pé de Guerra - 1984) levando um carro de Chicago a San Diego (Califórnia) para um dono que nem conhece e se depara com um assustador psicopata - constrói a figura de um

John Ryder: o mal personificado

vilão sem poderes demoníacos, mas que consegue (numa única faceta de pura maldade) infernizar a vida do protagonista com uma implacável eficiência.
Fracasso de bilheteria na época do lançamento, detonado pela crítica, e longe de ser o filme favorito de Rutger Hauer (que já atribuiu zero estrelas à película), A Morte Pede Carona ainda fascina pela tensão provocada pela perseguição de Ryder a Halsey, num tempo em que a comunicação era bem limitada (nada de celulares ou Internet) e tornava qualquer pedido por ajuda muito mais complicado.
Dirigido pelo desconhecido Robert Harmon (que construiu sua carreira voltada para filmes televisivos), A Morte Pede Carona nos ensina que, da próxima vez que estivermos na mesma situação de Halsey, nada melhor que uma boa garrafa térmica de café a tiracolo e nada de parar para Caroneiros. Tudo isso, é claro, para evitar que uma simples viagem de carro se transforme num enorme pesadelo.


Curiosidades sobre o filme

Sim, caros leitores, a tensão era real!

 -C. Thomas Howell admitiu ter ficado com medo de Rutger Hauer durante as filmagens e fora das locações, devido à intensidade com quem o ator incorporou o papel de John Ryder;

Será que ele recebia seu pagamento em Latinum?

-Conhecido dos fãs de Star Trek – Deep Space Nine, onde interpretava o Ferengi Quark, Armin Shimerman faz uma participação especial interpretando um detetive que tenta interrogar o personagem de Hauer;

O especial do dia era Filé ao Molho Replicante

 -Numa cena, o personagem de Howell entra num local chamado “Roy’s Cafe”, uma clara referência ao personagem de Hauer no clássico Blade Runner (1982);

Aceita batatas fritas como acompanhamento, senhor?

 -O script original era tão extenso que o filme poderia ter a duração de 3h! Muitas cenas ficaram de fora, como a de Ryder trucidando uma família inteira; um olho humano aparecendo no meio de um hambúrguer (isso foi substituído pela cena do dedo em meio às batatas fritas); uma pessoa sendo decapitada. Após muitas revisões, as cenas foram descartadas.


Citações

“Minha mãe me disse para nunca fazer isso.” – Jim Halsey.

“Achei que ele me ajudaria a ficar acordado.” – Jim Halsey.


A Morte Pede Carona (The Hitcher, EUA, 1986). Elenco: Rutger Hauer, C. Thomas Howell e Jennifer Jason Leigh. Direção: Robert Harmon.


TRAILER LEGENDADO





Fotos: Divulgação/Internet.

Informações adicionais: IMDB. 


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