quinta-feira, 29 de março de 2018

FRAMES-RETRÔ: No Dia da Mentira, você conseguiria sobreviver “À Noite das Brincadeiras Mortais”?

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com

Celebrado em 1° de Abril, o Dia da Mentira é uma tradição que é popular no Brasil e também nas terras ianques, sendo que por lá é chamado de “April Fool’s Day” (Dia dos Bobos de Abril, em tradução livre). É nessa data específica que as pessoas costumam contar mentiras leves ou pregar peças em amigos e parentes sem, no entanto, lhes causar qualquer malefício. Mas, como estamos falando sobre cinema e não da realidade, A Noite das Brincadeiras Mortais eleva o nível das peças e piadas, envolvendo o espectador numa trama que, se não possui amplas doses de terror, envolve pela ampla dosagem de suspense.
Elevado atualmente ao status de “Trash Cult”, A Noite das Brincadeiras Mortais me alcançou numa das madrugadas insones dos Anos 1990, exibido na ainda chamada TV Bandeirantes. O filme, que logo de cara mostra ser uma produção de orçamento limitado, é um prato cheio para os amantes de histórias de mistério. Inundado de clichês do gênero (a casa numa ilha isolada; o telefone que é a única comunicação com o continente e só funciona às vezes; os barulhos estranhos que as pessoas vão verificar e acabam sumindo, etc.) A Noite das Brincadeiras Mortais também esguicha na tela diversos personagens caricatos que são a alma de muitas produções adolescentes lançadas nos Anos 1980. No entanto, como já afirmei diversas vezes em outros posts, certos filmes devem ser vistos por puro entretenimento e diversão, deixando-se de lado suas possíveis falhas ou clichês, os quais são tão comuns em diversas produções para o cinema ou TV atualmente.
Para quem não conhece a história, um grupo de estudantes, prestes

Primeiro de Abril!

a se formar, vai passar o fim de semana do Dia da Mentira na casa de uma colega, que fica localizada numa ilha remota. Uma a uma as pessoas vão desaparecendo e depois encontradas mortas em circunstâncias misteriosas.
Longe de ser genial, mas com um plot twist ao final que ganha pontos pela originalidade, A Noite das Brincadeiras Mortais é aquele tipo de produção que te faz ficar ligado até final para tentar desvendar o mistério que envolve a trama e seus protagonistas.
Agora cabe a você, leitor do Frames da Imaginação, assistir ao filme e saber se conseguiria sobreviver, no Dia da Mentira, “À Noite das Brincadeiras Mortais”.


Curiosidades sobre o filme

 

Nikki e Chaz já tinham história


-Clayton Rohner (Chaz) e Deborah Goodrich (Nikki) apareceram em outro clássico oitentista: Quase Igual aos Outros (1985);

 

Um final alternativo bem interessante


-O filme teve um final alternativo escrito, mas nunca utilizado. Muffy é levada a acreditar que ficou sozinha na ilha. Nesse momento, Skip sai de um armário e “corta” a garganta dela, que grita em desespero, para depois ser interrompida pelos outros personagens entrando na sala, rindo dela, e dizendo: Primeiro de Abril!;

 

Gel pra que te quero


-O final original do filme foi filmado somente três meses após o encerramento da produção. Isso explica as diferenças nos cortes de cabelo de Muffy e Nan;

 

Rob (dir) no tempo em que era aluno do Sr. Shoop


-Ken Olandt, que interpreta Rob, também esteve presente num outro clássico filme colegial oitentista: Curso de Verão [leia o review].



Citações

“Rob, seu zíper está aberto.” – Chaz.

“Antes que essa noite termine, alguém dessa sala... Terá seu fim.” – Chaz.

“Meu nome é Arch Cummings e estou numa missão. Eu estou numa missão de transar com o máximo número de mulheres que for humanamente possível.” – Arch.

“Arch é um doce, mas ele só tem duas preocupações: colarinho pra cima e colarinho pra baixo.” – Muffy.

“O que aconteceu com nossa conversa sobre amizade e lealdade imortal?” – Kit.

“Três pessoas estão mortas e você me diz para relaxar?” – Nikki.



A Noite das Brincadeiras Mortais (April Fool’s Day, EUA, 1986). Elenco: Deborah Foreman, Ken Olandt e Thomas F. Wilson. Direção: Fred Walton.



CHAMADA TELA QUENTE




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Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: 7GRAUS e IMDB.

Post atualizado em 01/04/19.

quinta-feira, 15 de março de 2018

FRAMES-RETRÔ: “O Iluminado” - Muito trabalho e pouca diversão fazem de Jack um bobalhão

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com

O bom de ser fã do cinema oitentista é que sempre há ótimos filmes para ver, dissecar e dissertar (não necessariamente nessa ordem). No Frames-Retrô de hoje, a parte da dissertação fica por minha conta, já as anteriores deixo para você, caro leitor do Frames da Imaginação.
Lançado em 1980, apenas duas semanas após outro clássico do terror ter feito sua estreia nas telonas (Sexta-Feira 13), O Iluminado é um filme que constrói uma magnífica atmosfera de suspense que se desencadeia num terror visual notável, muito se devendo às atuações dos atores principais e, mais ainda, pela direção forte do hoje saudoso Stanley Kubrick. Perfeccionista ao extremo, Kubrick dirigiu, produziu e adaptou para as telas um filme singular e único, mesmo sendo baseado no consagrado livro de Stephen King. O escritor, por sinal, escreveu uma adaptação de seu livro para a produção, mas teve seu roteiro rejeitado por Kubrick, o que fez com que o Mestre do Terror ficasse desapontado com o resultado final, descrevendo a película como “um carro chique sem motor”.
Polêmicas à parte, a trama (que virou referência para inúmeras produções do gênero terror), possui diversos elementos que ajudam a construir uma atmosfera sinistra e envolvente, dentre eles o principal chamado “ISOLAMENTO”. Mesmo para mentes sadias, a reclusão voluntária do convívio social pode gerar um impacto (mesmo que pequeno) na personalidade, mas para a mente de alguém como Jack Torrance, que se recupera do abuso de álcool e começa a ver sua própria família como um empecilho em sua estada no Hotel Overlook, as consequências podem ser desastrosas.
A insanidade quase salta aos olhos
É nesse aspecto que podemos notar a maestria na interpretação de Jack Nicholson, que constrói um personagem marcante, o qual começa a alucinar e mudar seu estado emocional pouco a pouco, culminando numa perda total da sanidade mental. Pontos extras também vão para Shelley Duvall, que entre cenas repetidas à exaustão e cobranças excessivas de Kubrick, conseguiu criar um contraponto ao personagem de Nicholson, mostrando fragilidade e compreensão no início e uma total angústia e desespero ao final da trama.

Para os novatos nessa grande produção de Stanley Kubrick, O Iluminado conta a história de Jack Torrance (Jack Nicholson), um ex-professor que aceita cuidar de um hotel isolado durante um
"Venha brincar com a gente, Danny"
rigoroso inverno. Longe de tudo, somente com sua esposa e filho como companhia, Torrance vai perdendo a sanidade e envolve sua família numa trama macabra de medo e terror.

Com um final intrigante, ainda foco de debates e teorias nos dias atuais, O Iluminado é um filme que merece ser visto e revisto para sempre... E sempre... E sempre.


Curiosidades sobre o filme

 
"Eu ODEIO sanduíche de queijo"
-Para ficar sempre de mau humor, igual ao seu personagem, Jack Nicholson se alimentou somente de sanduíches de queijo (que ele odeia) por duas semanas;

"Here's Nicholson"
 -De acordo com Shelley Duvall, a famosa cena “Here’s Johnny!” demorou 3 dias para ser filmada, com a utilização de 60 portas fabricadas pela produção;

 
Atuação intensa
-Shelley Duvall sofreu de exaustão durante a produção do filme. As filmagens foram tão intensas que ela ficou doente e chegou a ter queda de cabelos;

 
Repetições... Mais repetições... Mais repetições
-A cena em que Wendy está subindo as escadas, tentando fugir de Jack, levou cerca de 45 takes para ficar pronta, segundo um assistente de direção de Kubrick;

 
Um dos estímulos visuais de Kubrick
-A cor vermelha é visível, abertamente ou sutilmente, em quase todo o desenrolar da trama; 


-Algumas cenas externas de O Iluminado foram reutilizadas no “final feliz” de uma das versões do clássico Blade Runner (1982);

Joe Turkel também interpretou o Dr. Tyrell em Blade Runner!
 -O papel de Lloyd seria originalmente interpretado por Harry Dean Stanton (in memoriam), que não pôde participar da produção por estar envolvido com “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979);



-Apesar do fato de ser um filme de terror, apenas um assassinato acontece durante toda a trama.


Citações
“Cinco meses de paz é o que eu quero.” – Jack Torrance.

“Eu me lembro de quando era apenas um garoto. Minha avó e eu tínhamos longas conversas sem nunca sequer abrirmos nossas bocas. Ela nos chamava de Iluminados.” – Dick Hallorann.

“Não há nada no quarto 237.” – Dick Hallorann.

“Oi, Danny. Venha brincar com a gente. Para sempre... E sempre... E sempre.” – Gêmeas.

“Gostaria que pudéssemos ficar aqui para sempre... E sempre... E sempre.” – Jack Torrance.

“Pai, você nunca machucaria a mim ou a mamãe, não é?” – Danny.

“Acho que estou enlouquecendo.” – Jack Torrance.

“Daria até a minha alma por um copo de cerveja.” – Jack Torrance.

“Mulheres: não se pode viver com elas, nem sem elas.” – Lloyd.

“Porquinhos, porquinhos, me deixem entrar!” – Jack Torrance.


O Iluminado (The Shining, EUA, 1980). Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall e Danny Lloyd. Direção: Stanley Kubrick. 


TRAILER 




Fotos: Divulgação/Internet.
Informações adicionais: IMDB.


 
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quarta-feira, 14 de março de 2018

FRAMES-HOMENAGEM: Morre, aos 76 anos, o gênio da física Stephen Hawking

Fábio Pereira
xanderfbi@hotmail.com


R.I.P.
Portador de esclerose lateral amiotrófica, o físico Stephen Hawking faleceu, aos 76, anos nesta quarta-feira (14), em sua residência na Inglaterra. Hawking era um dos mais conhecidos físicos do mundo, resistindo por anos à doença degenerativa que o mantinha numa cadeira de rodas, fazendo com que pudesse se comunicar apenas através de um programa especial de computador.


Doutor em Cosmologia, foi professor emérito na Universidade de Cambridge, um posto que foi ocupado por Sir Isaac Newton. Um de seus trabalhos mais importantes e conhecidos foi através do livro "Uma Breve História do Tempo", em que guia o leitor na busca por respostas sobre a origem do universo. O livro, lançado em 1988, vendeu mais de 10 milhões de exemplares em todo o mundo.
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Na cultura popular, Hawking participou, em 1993, de um episódio de Jornada nas Estrelas - A Nova Geração, numa cena em que é um holograma, jogando cartas com o androide Data. Também fez diversas participações em séries de TV, como "Os Simpsons", "Futurama", "Family Guy" e "The Big Bang Theory". Em 2014, a história da vida de Hawking foi contada no filme "A Teoria de Tudo", que rendeu o Oscar de Melhor Ator a Eddie Redmayne pela interpretação do físico.




Eddie Redmayne em "A Teoria de Tudo"


"Pessoas quietas possuem mentes barulhentas." 
Stephen Hawking (*1942 - 2018 +)


Fotos: Divulgação/Internet
Informações Adicionais: G1 e Wikipédia